Dezoito empresas públicas do sector das Águas registaram, em 2025, um saldo conjunto negativo de aproximadamente 4,67 mil milhões de kwanzas. As perdas de dez operadoras totalizaram 6,25 mil milhões de kwanzas, enquanto os lucros das oito restantes ficaram em 1,58 mil milhões. Os dados constam dos relatórios e contas de 2025 e 2024 analisados pelo Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado (Igape) e divulgados pelo jornal Valor Económico. A Empresa Pública de Águas de Luanda (EPAL) lidera os prejuízos e a Empresa Pública de Águas e Saneamento da Huíla (EPAS Huíla) destaca-se pelos melhores resultados positivos.
As dez empresas deficitárias acumularam perdas de 6,25 mil milhões de kwanzas. As oito operadoras com resultados positivos geraram lucros de 1,58 mil milhões. O saldo final das 18 empresas é, assim, negativo em cerca de 4,67 mil milhões de kwanzas.
EPAL e EPAS Benguela concentram a maior parte das perdas
A EPAL e a Empresa Provincial de Águas e Saneamento de Benguela (EPAS Benguela) concentram cerca de 77% das perdas das dez empresas deficitárias.
A EPAL registou um prejuízo de 2,49 mil milhões de kwanzas. Apesar de continuar a apresentar o maior resultado negativo, a empresa conseguiu reduzir as perdas em 74,4% face aos 9,77 mil milhões de kwanzas negativos de 2024. Para esta melhoria contribuíram o crescimento das vendas em 40,7% (para 28,16 mil milhões de kwanzas) e a redução do prejuízo operacional de 4,07 mil milhões para 2,56 mil milhões. Os resultados financeiros passaram de um saldo negativo de cerca de 400 milhões para um resultado positivo de 69,4 milhões de kwanzas.
No plano patrimonial, a EPAL encerrou 2025 com capitais próprios negativos de 8,73 mil milhões de kwanzas e um passivo corrente de aproximadamente 117,96 mil milhões, apesar do activo total ter aumentado para 561,29 mil milhões de kwanzas.
A EPAS Benguela apresentou um prejuízo de 2,31 mil milhões de kwanzas, menos 19,8% do que os 2,88 mil milhões de 2024. Os proveitos operacionais cresceram cerca de 31% (para 5,05 mil milhões), mas os custos operacionais atingiram 7,16 mil milhões de kwanzas. A empresa terminou o exercício com capitais próprios negativos de aproximadamente 899 milhões de kwanzas e um passivo total de 15,13 mil milhões, acima do activo de 14,23 mil milhões.
Outras empresas com resultados negativos
A Empresa Pública de Água e Saneamento do Bengo registou perdas de 331,75 milhões de kwanzas (agravamento de 54,7%).
Seguem-se:
- Cuanza-Sul: prejuízo de 284,27 milhões de kwanzas (+38,4%)
- Huambo: prejuízo de 272,25 milhões de kwanzas
- Uíge: prejuízo de 204,45 milhões de kwanzas (+74,7%)
- Zaire: prejuízo de 124,44 milhões de kwanzas
- Cunene: prejuízo de 119,57 milhões de kwanzas (redução de 15,1%)
- Moxico: prejuízo de 78,28 milhões de kwanzas (redução de 50,5%)
- Cuando Cubango: prejuízo de 37,07 milhões de kwanzas (depois de um pequeno lucro em 2024)
Huíla e Cabinda lideram os lucros
A EPAS Huíla destacou-se com o maior resultado líquido positivo: 727,5 milhões de kwanzas, contra 80 milhões em 2024 (crescimento de cerca de 809%). As vendas subiram de 690,9 milhões para 874,5 milhões de kwanzas e as prestações de serviços de 121,3 milhões para 208,9 milhões.
A EPAS Cabinda fechou 2025 com um lucro de 444,88 milhões de kwanzas, depois de um prejuízo de 243,96 milhões no ano anterior. As vendas mais do que duplicaram, de 490,13 milhões para 1,06 mil milhões de kwanzas.
A Empresa Pública de Águas e Saneamento da Lunda-Norte registou um lucro de 131,68 milhões de kwanzas (+29,4%).
Recuperação em Malanje e Bié
A Empresa de Águas de Malanje passou de um prejuízo de 15,19 milhões de kwanzas em 2024 para um lucro de 42,06 milhões em 2025.
A Empresa de Águas e Saneamento do Bié inverteu o resultado negativo de 38,77 milhões para um lucro de 91,52 milhões de kwanzas.
A Empresa Pública de Águas e Saneamento do Namibe aumentou o lucro 38,06%, para 23,05 milhões de kwanzas. A Empresa de Águas e Saneamento do Cuanza-Norte manteve-se lucrativa, mas viu o resultado líquido recuar 13,75%, para 119,50 milhões. A Empresa Pública de Águas e Saneamento da Lunda-Sul passou de um pequeno prejuízo para um lucro de 3,93 milhões de kwanzas.
Fonte: Valor Economico
