Desde a tomada de posse, a 26 de Setembro de 2017, o Chefe de Estado assumiu o compromisso de cumprir e fazer cumprir a Constituição, defender a paz, a democracia e a soberania nacional. “Tenho pautado a minha acção por um compromisso inabalável com o aprofundamento do Estado Democrático de Direito”, afirmou.
O Presidente recordou que assumiu o poder num contexto difícil: Angola enfrentava a queda do preço do petróleo, instabilidade cambial, défices orçamentais e aumento da dívida, a que se somaram, ao longo dos anos, os conflitos internacionais, as perturbações logísticas e a pandemia da COVID-19.
Reconciliação e combate à corrupção
João Lourenço destacou o pedido de desculpas públicas, em 2021, pelos crimes cometidos durante os conflitos políticos entre 1975 e 2002, e a criação da CIVICOP (Comissão para a Implementação do Plano de Reconciliação em Memória das Vítimas dos Conflitos Políticos). Sublinhou ainda a homenagem aos líderes dos movimentos de libertação nacional Agostinho Neto, Holden Roberto e Jonas Savimbi e a inauguração do Memorial às Vítimas dos Conflitos Políticos, “um local de memória, reflexão e educação patriótica”.
No combate à corrupção, o Presidente anunciou que Angola melhorou 28 posições no ranking africano do Índice de Corrupção e 19 lugares no Índice da Transparência Internacional. “Quem ocupa um cargo público não representa um privilégio, mas uma oportunidade para servir o povo angolano”, vincou.
Economia: recuperação e disciplina fiscal
Os números apresentados são o cerne da mensagem:
- Crescimento real de 3% em 2025 e de 5,3% no primeiro trimestre de 2026, puxado pelo sector não-petrolífero (+6,2%);
- Dívida pública reduzida de 115,9% do PIB (2020) para 51,2% (2026), dentro dos limites legais;
- Inflação em queda de 27,5% (2024) para 10,8% em Junho do corrente ano;
- Desemprego reduzido de 31,5% para 21,3% no primeiro trimestre de 2026;
- PIB nominal estimado em 141,7 mil milhões de dólares;
- Reservas internacionais líquidas em 16,2 mil milhões de dólares, cobrindo oito meses de importações;
- Investimento estrangeiro no sector não-petrolífero cresceu 54%.
O Presidente destacou também a actuação do Banco Nacional de Angola, a criação da primeira resseguradora nacional, o Fundo de Resolução Bancária e o Índice de Inclusão Financeira nos 54,8%.
Saúde: maior investimento de sempre
No Sector Nacional de Saúde, o Presidente anunciou a construção de 736 unidades sanitárias desde 2017, elevando a rede de 2.612 para 3.348 unidades, mais de 80% destinadas aos Cuidados de Saúde Primários. Destacou as novas unidades de referência em Luanda, como o Complexo Hospitalar Pedro Maria Tonha “Pedalé” e o Hospital dos Queimados Presidente Julius Nyerere, e o avanço da cirurgia robótica, com 136 procedimentos realizados, incluindo 10 por telecirurgia entre os Estados Unidos e Luanda.
O Serviço Nacional de Saúde dispõe hoje de 45.146 camas hospitalares e integrou, nos últimos quatro anos, 28.429 novos profissionais. Na saúde materno-infantil, a esperança de vida subiu de 61 para 64 anos, a mortalidade materna desceu de 239 para 170 óbitos por 100.000 nados-vivos e a prevalência do VIH baixou para 1,6%, uma das mais baixas da África Subsaariana.
Apesar dos avanços, João Lourenço reconheceu desafios estruturais persistentes, como a baixa formalização da economia e a necessidade de manter a trajectória de diversificação, com o sector petrolífero ainda a lutar com a maturidade dos poços de produção.
“O estado da Nação não se mede apenas pelo crescimento do PIB, mas pelo número de famílias que vivem melhor”, concluiu o Presidente, reiterando que o desenvolvimento de Angola é “uma missão permanente que não termina com cada ciclo eleitoral”.
