A redução dos activos do Fundo Kimbo resulta, essencialmente, da diminuição da rubrica «Outros activos», que passou de 7.209,1 milhões de kwanzas no final de 2025 para 334,2 milhões em Junho deste ano. Trata-se de uma redução de 95,4%, equivalente a 6.874,9 milhões de kwanzas, de acordo com o relatório e contas do primeiro semestre do BFA.
O banco atribui a variação sobretudo ao desreconhecimento do capital por realizar dos accionistas. A mesma explicação é dada para a redução dos fundos próprios do fundo, de 8.848,8 milhões para 2.094,1 milhões de kwanzas.
Os elementos disponíveis não permitem esclarecer integralmente a composição da rubrica «Outros activos», nem o impacto concreto da operação sobre cada accionista. O desreconhecimento poderá estar associado a capital subscrito ou previsto que ainda não tinha sido realizado.
A quebra patrimonial foi acompanhada por uma deterioração dos resultados. O Kimbo encerrou os primeiros seis meses de 2026 com um prejuízo de 62,9 milhões de kwanzas, depois de ter registado um resultado líquido positivo de 35,8 milhões no período homólogo de 2025.
Segundo o BFA, o resultado foi sobretudo influenciado pelo aumento dos custos de estrutura, que cresceram 499,3% face a Junho de 2025, correspondendo a mais 85 milhões de kwanzas. O banco destaca, em particular, os custos com serviços de consultoria.
No período em análise, o produto bancário recuou 26,1%, para 39 milhões de kwanzas, enquanto os custos de estrutura subiram para 102 milhões de kwanzas, contra cerca de 17 milhões no primeiro semestre do ano anterior.
A evolução financeira do fundo suscita dúvidas sobre a participação anunciada do Fundo Soberano de Angola (FSDEA). Em 29 de Agosto de 2024, o BFA comunicou que o FSDEA formalizou a entrada no Kimbo, em parceria com a BFA Gestão de Activos, através de um investimento global de cinco milhões de dólares.
Na altura, a operação foi apresentada como uma iniciativa para reforçar o financiamento às pequenas e médias empresas e promover o desenvolvimento económico sustentável. O Kimbo foi concebido como um fundo de capital de risco orientado para o financiamento de empresas e projectos, nomeadamente nos sectores do agronegócio e da logística.
O anúncio não esclareceu se os cinco milhões de dólares correspondiam à subscrição de unidades de participação, a um compromisso de investimento a realizar ao longo do tempo ou a outra modalidade de participação financeira.
Os dados divulgados pelo BFA indicam que, tanto em 31 de Dezembro de 2025 como em 30 de Junho de 2026, o banco detinha 125 unidades de participação no Kimbo, equivalentes a 100% do fundo. A posição manteve-se inalterada nas duas datas.
Por sua vez, os relatórios e contas do FSDEA relativos a 2024 e 2025 não fazem referência ao Fundo Kimbo, dificultando a identificação do estágio actual do investimento anunciado.
O BFA foi contactado para esclarecer a natureza da operação com o FSDEA, a composição da rubrica «Outros activos» e os factores da evolução financeira do Kimbo, mas não respondeu até ao fecho desta edição.
