Os custos das importações de combustíveis aumentaram 77% entre Janeiro e Setembro de 2026, apesar de a quantidade adquirida ter recuado 3%, segundo cálculos do Expansão baseados em dados do Instituto Regulador dos Derivados de Petróleo. A subida dos preços internacionais agrava a pressão sobre os subsídios e o abastecimento interno.

Angola registou um aumento de 77% nos custos com a importação de combustíveis refinados entre Janeiro e Setembro de 2026, face ao mesmo período do ano anterior, de acordo com cálculos do Expansão baseados em dados oficiais publicados pelo Instituto Regulador dos Derivados de Petróleo (IRDP).

No mesmo período, as quantidades importadas recuaram 3%, de 3,38 milhões para 3,28 milhões de toneladas métricas. Os refinados importados continuam a representar mais de 70% do consumo nacional, segundo o mesmo apuramento.

A evolução é associada, no material divulgado pelo Expansão, à subida dos preços no mercado internacional e às dificuldades na logística mundial, num contexto de conflito no Médio Oriente. Nos primeiros nove meses de 2025, as importações de produtos refinados totalizavam 1.809 milhões de dólares.

Também as vendas internas diminuíram. Entre Janeiro e Setembro, o volume vendido baixou 5%, de 3,61 milhões para 3,44 milhões de toneladas métricas, segundo as contas publicadas pelo Expansão.

A subida dos custos recai sobre a Sonangol, que importa os combustíveis em dólares e os comercializa no mercado interno em kwanzas, acertando contas com o Estado no fim de cada exercício fiscal. De acordo com a Conta Geral do Estado de 2025, o Estado acumulava uma dívida de 4,79 biliões de kwanzas para com a petrolífera nacional.

A factura dos subsídios aos combustíveis poderá atingir 3,8 biliões de kwanzas, equivalentes a 4,2 mil milhões de dólares, este ano, acima dos 1,7 biliões de kwanzas previstos no Orçamento Geral do Estado para 2026. A estimativa foi avançada pelo secretário de Estado para as Finanças e Tesouro, Ottoniel dos Santos, citado pela Reuters.

A confirmar-se, os gastos acumulados com subsídios aos combustíveis desde 2019 ascenderão a 15,1 biliões de kwanzas, ou 21,4 mil milhões de dólares às taxas de câmbio médias anuais, segundo cálculos do Expansão.

À margem das reuniões anuais do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial, realizadas em Banguecoque entre 12 e 18 de Outubro, Ottoniel dos Santos admitiu à Reuters que a subida internacional dos preços poderá levar o Executivo a acelerar a reforma dos subsídios iniciada em 2023.

“Por agora, está a ser feito assim, devagar. Mas se houver alguma janela que possa ser aproveitada, e se esperarmos que o impacto sobre os mais vulneráveis seja menor do que prevemos, então será fácil de implementar”, declarou.

Em Setembro, a ministra das Finanças, Vera Daves de Sousa, afirmou que seria improvável eliminar os subsídios no próximo ano. Na ocasião, disse que a prioridade consistia em assegurar o abastecimento e alargar os programas de transferências monetárias destinados aos agregados familiares vulneráveis, em vez de proceder a novos aumentos de preços.

No mercado interno, o aumento dos preços e as limitações logísticas coincidiram com maior dificuldade de acesso aos combustíveis, sobretudo fora de Luanda. O material divulgado aponta para o aumento das filas desde o início do ano, com incidência em Benguela, Huambo e Huíla, bem como para relatos de comercialização no mercado paralelo a preços elevados nas áreas mais remotas.

A 6 de Agosto, o ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, Diamantino Azevedo, reconheceu à Rádio Nacional de Angola uma situação preocupante no abastecimento. “Estamos com uma crise, há pouco combustível, há um aumento de consumo, há um aumento de preço no mercado internacional, há escassez”, afirmou.

No final de Abril, o director de Planeamento da Sonangol, Edson Pongolola, disse ao Expansão que a tonelada métrica de gasolina, adquirida no trimestre anterior por cerca de 700 dólares, passou a custar quase 1.700 dólares.

Fonte: Jornal Expansão

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