A ministra das Finanças de Angola, Vera Daves de Sousa, destacou hoje, durante a 17.ª Cimeira de Negócios EUA-África, que o Corredor do Lobito está a transformar a abordagem ao financiamento de infraestruturas no continente africano. Segundo a governante, o projecto demonstra que é possível adoptar modelos sustentáveis, baseados em parcerias com o sector privado, em vez do tradicional investimento público.
Falando na sessão plenária sobre “O Futuro da Parceria entre os EUA e África”, Vera Daves de Sousa sublinhou que o Corredor do Lobito, uma linha ferroviária que liga o Porto do Lobito, em Angola, à República Democrática do Congo (RDC), facilita o escoamento de minerais e mercadorias, servindo como exemplo de sucesso. “Este projecto mostra que parcerias ancoradas no investimento privado podem funcionar, sem sobrecarregar as economias, muitas das quais já enfrentam níveis de endividamento que exigem cautela”, afirmou.
A ministra enfatizou que África enfrenta um défice significativo de infraestruturas, mas também lida com desafios de endividamento em vários países. Para ela, a solução passa por modelos de financiamento que envolvam o sector privado, capazes de gerar projectos autossustentáveis. “Quando identificamos bons projectos, que se pagam a si mesmos, estamos no caminho certo para o futuro”, defendeu.
Uma Visão Além dos Recursos Minerais
Vera Daves de Sousa alertou para a importância de não limitar o foco à exportação de minerais estratégicos. Em vez disso, propôs uma abordagem que valorize parcerias de médio e longo prazo, com impacto local. Em Angola, isso significa a criação de empregos, o fortalecimento do turismo, agronegócios, indústria ligeira e outras áreas. “O ponto de partida é recalibrar as parcerias para motivar o investimento efectivo e caminharmos juntos rumo à sua concretização”, frisou.
A governante angolana criticou o modelo tradicional de parcerias, muitas vezes centrado em doações ou financiamentos estatais, e apelou a uma colaboração mais dinâmica. “Não se trata de abandonar essas opções, mas de enriquecer as parcerias, envolvendo grandes, médias e pequenas empresas, e explorando sectores além da energia, com foco na geração de empregos”, explicou.
Pensar Fora da Caixa
A ministra reconheceu que inovar exige esforço e adaptação, incluindo o estudo de novos mercados e a superação de barreiras linguísticas. Ainda assim, defendeu que é essencial encontrar soluções para estabelecer parcerias benéficas dentro e fora do continente. “Pensar fora da caixa dá trabalho, mas é o que nos permitirá construir um futuro mais próspero”, observou.
A 17.ª Cimeira de Negócios EUA-África, que terminou hoje, reuniu mais de 1.500 delegados, incluindo chefes de Estado, representantes de 490 empresas angolanas, 202 africanas e 73 norte-americanas. Durante o evento, foram assinados nove instrumentos jurídicos em diversos sectores, reforçando a cooperação entre os continentes.
Fonte: Lusa
