A Gemcorp Capital, empresa de private equity liderada por Atanas Bostandzhiev, está a intensificar esforços para expandir as suas operações na África Subsaariana, indo além de Angola, onde mantém uma posição dominante. Segundo o diário financeiro Africa Intelligence, a empresa britânica, sediada em Londres, tem como alvo sectores estratégicos como mineração, petróleo, agricultura e energia renovável, com planos de captação de recursos nos Estados Unidos e nos Emirados Árabes Unidos.

Nova Estratégia Africana

Fundada em 2014 por Atanas Bostandzhiev, ex-executivo do Goldman Sachs e Merrill Lynch, a Gemcorp já investiu entre 1,5 e 2 mil milhões de dólares no continente africano, de um total de 8,1 mil milhões de dólares aplicados globalmente. Em Angola, onde emprega cerca de 100 dos seus 300 funcionários globais, a empresa está a preparar a inauguração da refinaria de Cabinda, um marco no sector petrolífero. Detida em 90% pela Gemcorp e 10% pela Sonangol, a refinaria, cuja construção enfrentou desafios desde 2018, será inaugurada nas próximas semanas pelo Presidente João Lourenço, com uma capacidade inicial de 30.000 barris de produtos refinados por dia.

Durante uma visita a Paris em maio, Bostandzhiev anunciou planos para duplicar os investimentos africanos nos próximos anos, com foco em projectos de infraestrutura complexos nos sectores de petróleo e mineração. A refinaria de Cabinda é um exemplo da capacidade da Gemcorp em concretizar iniciativas de grande escala.

Diversificação de Parceiros Financeiros

A Gemcorp está a reduzir a sua dependência de parceiros russos, que apoiaram a empresa desde a sua fundação, incluindo o VTB Capital, onde Bostandzhiev trabalhou antes de criar o fundo. Após o encerramento do escritório de Moscovo em 2021 e a recompra de acções detidas por investidores russos, a empresa enfrenta desafios devido a sanções europeias e americanas contra bancos russos. Em 2023, a Sonangol injectou 40 milhões de dólares adicionais para concluir a refinaria de Cabinda, avaliada em 525 milhões de dólares, devido a dificuldades nas remessas financeiras.

Para diversificar as suas fontes de financiamento, a Gemcorp obteve licenças bancárias nos EUA (Dezembro de 2024), em Abu Dhabi (Outubro de 2024) e em Luanda. A filial em Nova Iorque, aberta em Janeiro de 2024, liderada por Ahmad Al-Sat, está a fortalecer parcerias financeiras. Além disso, a nomeação do consultor franco-brasileiro Ponzioni Merian, ex-Odebrecht, visa facilitar a expansão em países como Moçambique, Namíbia, Tanzânia e Guiné.

Investimentos em Angola e Além

Em Angola, a Gemcorp gere o fundo Kassai, que conta com o apoio do Banco Nacional de Angola (BNA) por mais seis anos, a partir de 2024. Liderado por Walter Pacheco, ex-CEO da Bodiva, o fundo visa atr equilibrar investidores para projectos de infraestrutura, como a barragem de Laúca (financiada em 2020 por 300 milhões de dólares) e a modernização da usina hidrelétrica de Capanda. A empresa também financia o projecto de abastecimento de água de Quilonga Grande e linhas de transmissão entre Lubango e Baynes, na Namíbia.

Fora de Angola, a Gemcorp lançou o fundo Osprey Renewables Africa em Nairóbi, em Novembro de 2024, para investir em energia renovável, incluindo o megaprojecto eólico Lake Turkana Wind Power, no Quénia. Na mineração, a empresa negoceia com a Alphamin Resources na República Democrática do Congo para projectos de cobre e cobalto, além de ter concedido um empréstimo de 250 milhões de dólares ao Zimbábue, em 2018, para importar matérias-primas.

Negociação de Commodities

A Gemcorp também actua como negociadora de commodities, fechando negócios em açúcar (Nigéria), trigo (Etiópia), fertilizantes e cacau, em parceria com gigantes como a Gunvor. A empresa planeia expandir essa abordagem aos sectores de mineração e petróleo, garantindo participações em troca de financiamento.

Fonte: mreja.bg

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