Trabalhadores do Instituto Nacional de Estradas de Angola (INEA) expressaram profundo desagrado com a forma como o ministro das Obras Públicas, Urbanismo e Habitação, Carlos Alberto dos Santos, tem conduzido os destinos da instituição desde que foi nomeado para o cargo em Setembro de 2022, por decisão do Presidente da República, João Lourenço.
Em conversas concedidas sob condição de anonimato — por medo de represálias —, alguns funcionários acusam o titular da pasta de assumir uma postura considerada “arrogante” e de promover um ambiente de trabalho desgastante, especialmente no relacionamento com o director-geral do INEA, Henriques Victorino.
Segundo relatos colhidos, o ministro teria tomado decisões importantes de forma unilateral, incluindo nomeações e exonerações de quadros-chave, sem consultar o director-geral. Essa prática, dizem, tem levado à marginalização de Victorino, que estaria sendo reduzido a assinar documentos sem ter voz nas decisões estratégicas da instituição.
“O director está a ser humilhado e ninguém entende porquê ele aceita essa situação”, afirmou uma fonte, revelando o crescente mal-estar dentro da estrutura de gestão do instituto.
O clima de insatisfação também se deve à forma como têm sido tratados recursos humanos dentro do INEA. Vários trabalhadores qualificados estão deixando a instituição, alegadamente devido à instabilidade e ao desconforto no ambiente laboral.
Um caso citado é o do engenheiro Igor, do Departamento de Conservação, que passou a assumir as responsabilidades anteriormente exercidas pelo engenheiro Filipe, cuja saída ainda não foi oficialmente comunicada. Até hoje, segundo informações internas, a nomeação de Igor não foi formalizada, gerando dúvidas entre colegas sobre os critérios de escolha para cargos-chave.
Há rumores, igualmente, de que o ministro estaria preparando a entrada de um novo responsável para o departamento, vindo de fora ou de sua confiança pessoal.
O Club-K tentou obter uma posição oficial junto do Ministério das Obras Públicas, Urbanismo e Habitação, através do director do Gabinete de Comunicação Institucional e Imprensa, Paulo Teka. Após receber perguntas por WhatsApp, Teka indicou que daria uma resposta mais detalhada, mas até o fecho desta edição nenhuma declaração oficial havia sido emitida.
Este contexto de tensão interna suscita preocupações quanto à eficiência na gestão do INEA, órgão central no planejamento e manutenção da rede rodoviária nacional. Os próprios funcionários apontam que a falta de diálogo e transparência pode comprometer o desempenho institucional, num momento em que Angola precisa avançar na recuperação e expansão de suas infraestruturas viárias.
Fonte: Club-K
