O político moçambicano Venâncio Mondlane, conhecido pela sua postura combativa, enfrenta um momento crítico na sua trajectória política. O Ministério Público de Moçambique formalizou acusações contra Mondlane por cinco crimes, relacionados com as manifestações pós-eleitorais que abalaram o país após as eleições gerais de 9 de Outubro. Entre as acusações, destacam-se o incitamento à desobediência colectiva e a instigação ao terrorismo, conforme revelou o próprio Mondlane à saída da Procuradoria-Geral da República (PGR), em Maputo.
Esta foi a terceira vez que Mondlane foi chamado à PGR no âmbito dos processos relacionados com os protestos que contestam os resultados eleitorais, os quais ele não reconhece. Numa declaração à imprensa, o ex-candidato presidencial mostrou-se firme, defendendo que as suas acções expuseram fraudes eleitorais históricas. “Pelo contrário, eu prestei um grande serviço a esta nação. É a primeira vez em 30 anos de democracia que conseguimos levar até ao extremo a questão de desvendar, tirar o véu da fraude. Tiramos a máscara da fraude e levamos até à extrema resistência contra um regime ditatorial que se mantém com base nas armas, assassinatos e sequestros”, afirmou Mondlane, com convicção.
O cenário na sede da PGR, em Maputo, foi marcado por um forte dispositivo de segurança, com a circulação automóvel e pedonal interditada e elementos do Ministério Público equipados com coletes à prova de bala. Após cerca de 30 minutos no interior da instituição, onde recebeu a notificação oficial, Mondlane informou que enfrentará um julgamento, apoiado por uma equipa internacional de advogados. “Vou com a consciência tranquila”, declarou.
As acusações podem resultar numa pena igual ou superior a três anos de prisão, o que, segundo analistas, poderia significar o fim da sua carreira política, afastando-o do cenário eleitoral moçambicano. Apesar da gravidade do momento, Mondlane mantém-se resiliente, prometendo continuar a sua luta.
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