Na mesma semana em que Angola regressou aos mercados internacionais com uma emissão de Eurobonds no valor de 1,75 mil milhões de dólares e anunciou Obrigações do Tesouro de até 300 milhões USD, o Presidente da República autorizou quatro novos financiamentos que totalizam 850 milhões de euros.

Quatro empréstimos para sectores estratégicos

O primeiro empréstimo será contraído junto do banco austríaco Kommunalkredit e destina-se à execução do projecto de expansão e renovação da Clínica Multiperfil, embora o valor específico desta operação não tenha sido divulgado no despacho presidencial.

Os segundo e terceiro financiamentos envolvem a instituição financeira britânica Standard Chartered Bank (SCB) e outras instituições não identificadas oficialmente. O maior deles, no valor de 351,9 milhões de euros, será aplicado na construção da linha de transporte de energia de 400 KV na província de Malanje, um projecto estruturante para o sector energético nacional.

Já o terceiro empréstimo, de 59,3 milhões de euros, tem como finalidade cobrir 15% do pagamento inicial (down payment) no montante de 52,9 milhões de euros, incluindo o valor total da taxa de mitigação de risco associada à operação.

Agricultura de regadio no foco

O quarto e último empréstimo, no montante de 100 milhões de euros, será canalizado para o financiamento do Programa de Apoio ao Desenvolvimento da Agricultura de Regadio (PROREGA), uma iniciativa governamental para modernizar o sector agrícola e aumentar a produção alimentar nacional.

Endividamento acelerado

Estes novos compromissos juntam-se a um total superior a 3 mil milhões de dólares em financiamentos já autorizados pelo Chefe de Estado no segundo semestre de 2025, reflectindo uma estratégia agressiva de captação de recursos externos para financiar projectos de desenvolvimento.

Adicionalmente, Angola mantém desde 2024 um contrato de financiamento de mil milhões de dólares com o banco norte-americano JP Morgan, estruturado sob a forma de total return swap e garantido por obrigações soberanas, com vencimento previsto para o final de 2025.

Retorno aos mercados internacionais

O regresso de Angola aos mercados internacionais de capitais, após um período de ausência, sinaliza a confiança renovada dos investidores na economia nacional, mas também levanta questões sobre a sustentabilidade da trajectória da dívida pública num contexto de pressões orçamentais e flutuações no preço do petróleo.

A combinação de emissões de Eurobonds, Obrigações do Tesouro e empréstimos bilaterais demonstra a diversificação das fontes de financiamento do Estado angolano, numa altura em que o país procura equilibrar as necessidades de investimento em infra-estruturas e sectores produtivos com a gestão prudente do endividamento público.

Fonte: Novo Jornal

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