A 7ª Cimeira União Africana–União Europeia (UA-UE) encerrou nesta quarta-feira em Luanda, com a adoção da Declaração de Luanda, um documento que consolida o compromisso das duas organizações continentais em aprofundar uma parceria estratégica baseada em ações concretas e com impacto direto nas populações. O encontro, realizado sob o lema “Promover a Paz e a Prosperidade através de um Multilateralismo Eficaz”, reuniu chefes de Estado e de Governo de África e da Europa para discutir temas centrais como paz e segurança, migração, transição energética, comércio, investimento e empoderamento da juventude.
Em discurso de encerramento, o Presidente da República de Angola e líder em exercício da União Africana, João Lourenço, destacou o caráter produtivo do encontro e reforçou a importância histórica da parceria, que celebra 25 anos em 2025. “Esta Cimeira deixou claro que a parceria UA-UE não se faz apenas na base de ideias, mas sobretudo de ações concretas, com sentido prático e resultados transformadores para os nossos povos”, afirmou.
Avanços e prioridades conjuntas
Entre os pontos acordados pelos líderes, destacam-se:
Paz e segurança: expansão da cooperação para combater o terrorismo e o extremismo violento com respostas conjuntas mais robustas;
Ação climática: aumento do financiamento para adaptação e resiliência, bem como apoio à transição energética africana;
Desenvolvimento económico: compromisso com o investimento em infraestruturas, manufatura e agricultura sustentável;
Mobilidade e migração: promoção de fluxos seguros, ordenados e mutuamente benéficos entre os continentes;
Juventude: impulso a programas de educação, formação profissional e empreendedorismo para os jovens africanos e europeus.
O documento final reforça ainda o multilateralismo eficaz como pilar essencial para um mundo mais justo, equilibrado e próspero, numa altura em que crises globais exigem respostas coordenadas.
Da Declaração de Bruxelas à Declaração de Luanda
A Cimeira de Luanda dá continuidade às decisões da 6ª Cimeira UA-UE, realizada em Bruxelas em 2022, e avalia os avanços registados desde então em áreas como saúde, cooperação climática, transformação digital e mobilidade. O Relatório de Implementação da Declaração de Bruxelas, adotado em Luanda, reconhece os progressos obtidos, mas também aponta áreas que exigem maior empenho, em particular no acesso a financiamentos sustentáveis e na concretização de parcerias digitais.
Visão para 2028
João Lourenço antecipou que a 8ª Cimeira UA-UE, prevista para 2028 na Europa, deverá consolidar uma visão partilhada mais ambiciosa sobre industrialização, comércio, liderança climática, inovação e atuação conjunta no sistema multilateral. “Queremos elevar os nossos objetivos a patamares cada vez mais altos”, sublinhou.
Reconhecimento ao trabalho técnico
O Presidente angolano elogiou o “trabalho incansável” das equipas da Comissão da União Africana e da Comissão Europeia, cujo empenho foi decisivo para o sucesso logístico e político da Cimeira em Luanda. Agradeceu ainda às delegações presentes por prestigiarem o evento, que marcou a primeira Cimeira UA-UE realizada em solo africano desde 2017.
Antes de encerrar o discurso, Lourenço desejou a todos os participantes “um Ano Novo de paz, prosperidade e harmonia”, num apelo à unidade global num momento de grandes desafios e oportunidades.
