Mais de 10 jornalistas de diferentes órgãos de comunicação social privados foram arrolados como declarantes no processo-crime que envolve dois cidadãos russos e dois angolanos, detidos em Agosto pelo Serviço de Investigação Criminal (SIC), na sequência dos tumultos de Julho. A informação foi avançada ao Novo Jornal.
Os profissionais da comunicação social terão sido contactados por Amor Carlos Tomé, jornalista da Televisão Pública de Angola (TPA) e único comunicador na condição de arguido no processo. Segundo a acusação, Tomé é descrito como membro assalariado da alegada organização criminosa, com a missão de difundir notícias falsas e propaganda.
Recrutamento e difusão de informações
A acusação sustenta que o arguido terá recrutado jornalistas de sites noticiosos, jornais impressos e rádios privadas para disseminarem, em massa, informações falsas através de diversos canais, incluindo páginas do Facebook e grupos de WhatsApp. O objetivo seria criar no País um sentimento generalizado de insegurança e repulsa pela actual governação.
Fontes próximas do processo revelaram que directores e editores-chefes de vários órgãos de comunicação social privados foram ouvidos durante a fase de instrução preparatória, após terem sido igualmente contactados pelos cidadãos russos, através de Amor Carlos Tomé.
Ligações políticas e financiamento
Conforme a acusação, foi o jornalista da TPA que forneceu contactos de figuras do MPLA contrárias à actual liderança do partido, promovendo reuniões com os arguidos russos. Entre os nomes citados constam Higino Carneiro, António Venâncio e Julião Mateus Paulo, conhecido como “Dino Matrosse”, antigo secretário-geral do MPLA.
O documento de acusação indica ainda que os cidadãos russos pretendiam financiar a UNITA nas eleições de 2027. Num dos encontros realizados, terá sido discutida uma parceria para o próximo acto eleitoral, com propostas alegadamente já debatidas com o presidente do partido, Adalberto Costa Júnior.
As propostas incluíam assistência financeira, segurança, formação de quadros do partido no exterior e auxílio na obtenção de informações, segundo consta na acusação.
Fonte: Novo Jornal
