O Presidente da República de Angola, João Lourenço, elogiou nesta quinta-feira (4) a assinatura do acordo de paz entre a República Democrática do Congo (RDC) e o Ruanda, durante cerimónia realizada em Washington, nos Estados Unidos. A iniciativa marca um passo decisivo para pôr fim a um conflito que dura há mais de três décadas na região dos Grandes Lagos africanos.
Ao discursar na capital norte-americana, o Chefe de Estado angolano – que também exerce a presidência em exercício da União Africana – classificou o entendimento como “um marco histórico” e destacou o papel mediador desempenhado por Angola, Quénia e outros países africanos nas negociações.
“Este é um conflito entre irmãos, países vizinhos que se deviam dar bem, mas que, por razões diversas, têm se digladiado ao longo dos anos, com pesadas consequências para as populações e para as economias de ambos os lados”, afirmou Lourenço.
Potencial estratégico da Região dos Grandes Lagos
O Presidente angolano realçou o imenso potencial da Região dos Grandes Lagos, sublinhando que se trata de uma das zonas mais ricas do mundo — não apenas de África — em recursos naturais, hídricos, minerais e humanos.
“Diante da actual crise energética e alimentar global, a África – e em particular esta região – pode contribuir decisivamente para encontrar soluções, não só para o continente, mas para o mundo inteiro”, afirmou.
Lourenço citou como exemplo a Barragem do Inga, na RDC, cujo potencial energético “pode catapultar a electrificação e a industrialização do continente”. Também destacou o potencial agrícola da região, com “terras aráveis e pluviosidade abundante”, capazes de alimentar milhões de pessoas.
Reconhecimento ao papel dos EUA e apelo à implementação
Embora Angola e outros países africanos tenham impulsionado o processo de paz ao longo dos últimos anos, o Presidente louvou o papel do Governo dos Estados Unidos – em particular do Presidente Donald Trump por dar “continuidade ao trabalho realizado” e viabilizar o desfecho positivo das negociações.
“Só temos de agradecer ao Presidente Trump por ter conseguido alcançar este desfecho do qual todos sairemos a ganhar”, disse João Lourenço. Contudo, alertou que “assinar um acordo é uma coisa; implementá-lo é outra mais difícil, mas possível, desde que haja vontade política”.
O Chefe de Estado apelou às autoridades da RDC e do Ruanda a cumprirem integral e rapidamente os compromissos assumidos, reforçando a confiança de que “este será o início de uma nova era de estabilidade, cooperação e desenvolvimento para toda a região”.
Angola reforça liderança diplomática africana
A participação de João Lourenço na cerimónia em Washington reforça o papel de Angola como actor-chave na resolução de conflitos regionais e na promoção da paz em África uma prioridade da sua gestão à frente da União Africana.
