Os Estados Unidos manifestaram disposição em financiar a construtora portuguesa Mota-Engil com 1 mil milhão de dólares (cerca de 860 milhões de euros) para a reabilitação e operação da linha férrea entre Dilolo e Sakania, na República Democrática do Congo (RDC) trecho estratégico que se conecta diretamente ao Corredor do Lobito, em Angola. O anúncio foi feito na sexta-feira, 5 de Dezembro, no âmbito do recente acordo de paz assinado entre a RDC e o Ruanda.
O apoio financeiro será canalizado pela U.S. International Development Finance Corporation (DFC), instituição de fomento dos EUA, por meio de uma carta de intenções já assinada com a Mota-Engil. A operação representa um passo decisivo para consolidar a presença da empreiteira na região e reforça o alinhamento estratégico entre Washington, Kinshasa e Luanda no desenvolvimento de infraestruturas logísticas na África Central e Austral.
Parcerias estratégicas para minérios críticos
Além do financiamento ferroviário, a DFC assinou outra carta de intenções com a Gécamines empresa estatal mineira da RDC e a Mercury Energy Trading, visando otimizar a comercialização de cobre, cobalto e outros minerais críticos. A medida insere-se na estratégia dos EUA de diversificar cadeias de abastecimento globais e reduzir a dependência de fornecedores concentrados ou geopoliticamente instáveis.
“Estes projetos propostos refletem o objetivo da Administração dos EUA de reforçar cadeias de abastecimento transparentes e competitivas, garantindo acesso a matérias-primas essenciais para a segurança nacional e o crescimento económico norte-americano”, afirmou a DFC em comunicado.
Corredor do Lobito ganha novo impulso
A linha férrea entre Dilolo, na fronteira com Angola, e Sakania, próxima às ricas províncias mineiras do Katanga, é vital para o escoamento de minérios congoleses rumo ao porto do Lobito. O Corredor do Lobito, já operacional desde 2023, é considerado um dos mais importantes eixos logísticos da África Austral, ligando o Atlântico ao interior do continente.
Com o aval político de Washington e o compromisso de financiamento da DFC, a Mota-Engil fortalece sua posição como potencial vencedora do concurso público que a RDC deverá lançar para a concessão da linha. Embora o processo ainda não tenha sido formalizado, o suporte norte-americano representa um fator de peso nas negociações, dada a relevância estratégica da infraestrutura para a região.
