A organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) revelou, em colaboração com a entidade europeia RESIDENT.NGO, a existência de um novo instrumento de vigilância digital utilizado pelo Comité de Segurança do Estado da Bielorrússia (KGB) contra profissionais da comunicação social e outros alvos. Denominado “ResidentBat”, este spyware visa dispositivos Android e permite o acesso a dados altamente sensíveis, segundo um comunicado da RSF divulgado recentemente.
Como Funciona o ResidentBat?
Ao contrário de ferramentas como o Pegasus, que exploram falhas digitais remotas, o ResidentBat requer acesso físico ao aparelho para instalação. Uma vez implantado, concede aos operadores controlo sobre registos de chamadas, gravações de microfone, capturas de ecrã, mensagens SMS, conversas em aplicações encriptadas e ficheiros armazenados localmente. A RSF sublinha que esta abordagem depende de táticas de engenharia social ou detenção física para obter o acesso necessário.
A Detecção do Spyware
A descoberta ocorreu durante a análise de um telemóvel pertencente a um jornalista interrogado pelo KGB. De acordo com o relato da RSF, o profissional foi obrigado a deixar o dispositivo num cacifo antes do interrogatório, tendo depois de o desbloquear na presença de um agente. Suspeita-se que as autoridades tenham observado o código PIN e instalado o software durante o processo.
Dias após o incidente, um antivírus detetou componentes suspeitos. O jornalista contactou a RESIDENT.NGO, que, em parceria com o Laboratório de Segurança Digital da RSF, confirmou a presença do ResidentBat através de uma investigação forense.
A RSF denuncia que o jornalismo independente na Bielorrússia enfrenta uma repressão sistemática, incluindo censura, intimidação, violência e detenções arbitrárias. Atualmente, 32 jornalistas encontram-se presos, com relatos crescentes de tortura. Muitos profissionais fugiram do país desde 2020 e operam no exílio, enquanto os que permanecem atuam anonimamente sob risco elevado.
O uso de spyware como o ResidentBat integra esta estratégia repressiva. No Índice Mundial de Liberdade de Imprensa 2025 da RSF, a Bielorrússia ocupa o 166.º lugar entre 180 países e territórios.
Fonte: EuroNews
