O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reuniu-se na sexta-feira (9) com executivos das maiores empresas petrolíferas do mundo na Casa Branca para pressionar por um plano ambicioso de investimento de 100 bilhões de dólares na Venezuela, visando revitalizar a indústria petrolífera do país sul-americano. No entanto, os representantes do setor demonstraram cautela, citando instabilidade política, falta de garantias jurídicas e o histórico de confisco de ativos como obstáculos significativos.
Durante o encontro, Trump afirmou que, sob o novo cenário político após a captura do ex-presidente Nicolás Maduro em operação militar norte-americana em 3 de janeiro, há agora “segurança total” para investidores estrangeiros. Ele ainda declarou que as negociações seriam conduzidas diretamente com Washington, e não com Caracas, e ameaçou substituir empresas relutantes: “Se você não quiser entrar [na Venezuela], é só me avisar, porque tenho 25 pessoas dispostas a ocupar seu lugar.”
Reservas gigantescas, mas infraestrutura colapsada
A Venezuela detém as maiores reservas de petróleo do mundo, com cerca de 303 bilhões de barris, predominantemente de petróleo bruto pesado um tipo que exige refinarias especializadas, como as localizadas ao longo do Golfo do México nos EUA. Apesar desse potencial, a produção venezuelana está em colapso há anos, com infraestrutura obsoleta e falta de investimentos.
Trump anunciou um acordo com as autoridades interinas venezuelanas para o fornecimento de 50 milhões de barris de petróleo bruto aos EUA, com perspectiva de continuidade indefinida. Segundo ele, isso resultará em preços de energia mais baixos para os consumidores norte-americanos uma promessa que já gerou críticas de parlamentares democratas, que classificaram a abordagem como extorsão econômica.
Setor petrolífero exige reformas profundas
Apesar do apelo presidencial, líderes do setor foram céticos. Darren Woods, CEO da ExxonMobil maior empresa petrolífera dos EUA foi enfático: “Nossos ativos foram confiscados lá duas vezes. Reentrar uma terceira vez exigiria mudanças bastante significativas.” Ele listou como pré-requisitos reformas nas leis de hidrocarbonetos, proteções jurídicas duradouras e mudanças estruturais no sistema comercial.
A ExxonMobil e a ConocoPhillips deixaram a Venezuela há quase duas décadas, após nacionalizações durante o governo Hugo Chávez. Atualmente, a Chevron é a única grande petrolífera norte-americana ainda operando no país. Seu vice-presidente, Mark Nelson, afirmou que a empresa mantém compromisso com investimentos na Venezuela, embora sem detalhar montantes ou prazos.
O Instituto Americano do Petróleo (API) classificou a reunião como uma “conversa inicial construtiva”, reconhecendo tanto o potencial energético da Venezuela quanto os desafios persistentes em termos de governança, segurança e clima de negócios.
Presença global na reunião
Além das gigantes norte-americanas, participaram do encontro representantes de empresas internacionais como Shell (Reino Unido/Países Baixos), Eni (Itália), Repsol (Espanha), Halliburton, Valero, Marathon, ConocoPhillips e a trader Trafigura, com sede em Singapura.
Especialistas alertam que, mesmo com apoio político renovado, a recuperação da indústria petrolífera venezuelana exigirá anos de investimentos maciços e um ambiente institucional estável condições ainda distantes da realidade atual.
Fonte: DW
