Quatro meses após a realização do maior IPO da história do mercado de capitais angolano, altos quadros do Banco de Fomento Angola (BFA) e o seu principal acionista estrangeiro, o BPI (Banco Português de Investimento), estão entre os grandes beneficiários da valorização das ações na Bolsa de Valores de Luanda.
Segundo levantamento feito pelo ECO com base em informações prestadas ao regulador do mercado, dirigentes do BFA, incluindo o CEO Luís Roberto Gonçalves, já venderam cerca de 83 mil ações, correspondendo a 1,8% do capital disperso, por um total superior a 9,3 milhões de euros. Essas operações geraram mais-valias de 5,5 milhões de euros, num verdadeiro “jackpot” impulsionado pela forte valorização dos títulos após a estreia em bolsa.
IPO do BFA: marco histórico do mercado financeiro angolano
O IPO do BFA, concluído em setembro de 2025, mobilizou investidores nacionais e internacionais ao colocar 30% do capital social do banco no mercado, a um preço inicial de 49.500 kwanzas por ação (equivalente a cerca de 46 euros à data). Desde então, as ações dispararam, atingindo 105.000 kwanzas na última sexta-feira mais que o dobro do valor de emissão.
Do total ofertado, 5% foram reservados aos trabalhadores do BFA, enquanto o restante foi distribuído entre o público em geral, empresas e investidores institucionais. A operação atraiu cerca de 8.500 novos acionistas, consolidando-se como um marco na desmaterialização do capital e na democratização do investimento em Angola.
Lucros expressivos entre executivos
Entre os principais beneficiários está Paulo Silva, administrador executivo do BFA, que vendeu aproximadamente 70 mil ações em dezembro por 7,9 milhões de euros, obtendo uma mais-valia de 3,5 milhões. Em segundo lugar surge Jorge Nascimento, outro administrador executivo, que arrecadou mais de 650 mil euros com a alienação de 6.000 títulos, gerando um ganho de cerca de 300 mil euros.
O CEO Luís Roberto Gonçalves, à frente do banco desde 2020, vendeu apenas 176 ações, recebendo pouco mais de 20 mil euros e lucrando 12 mil euros. Apesar do montante modesto comparado a outros colegas, ainda detém uma participação de 0,0214% no capital do BFA.
Outros diretores de áreas como Marketing, Sistemas de Informação e administração também realizaram vendas com lucros na casa dos milhares de euros, refletindo o amplo alcance dos benefícios do IPO entre a liderança do banco.
BPI lucra com valorização da sua participação no BFA
Além dos executivos, o BPI, que detém uma posição de referência no BFA juntamente com o Estado angolano (via Unitel), também registrou ganhos significativos. O banco português vendeu 14,75% do capital do BFA por cerca de 103 milhões de euros, enquanto o Estado angolano arrecadou aproximadamente 107 milhões de euros com a venda de 15% da sua participação.
Após o IPO, os dois maiores acionistas mantêm, respetivamente, 36,9% (Estado) e 33,35% (BPI). A valorização das ações elevou o valor de mercado da participação do BPI para quase 500 milhões de euros, mais que o dobro dos 232 milhões estimados antes da entrada em bolsa.
IPO do BFA reforça confiança no mercado de capitais angolano
A performance do BFA na Bolsa de Luanda tem sido vista como um sinal de maturidade do mercado financeiro angolano e um incentivo à captação de investimento privado. A operação não só fortaleceu o capital do banco, mas também abriu caminho para outras empresas angolanas considerarem o acesso ao mercado de capitais como alternativa estratégica de financiamento.
Fonte: ECO
