Adriano Sapiñala, secretário provincial da UNITA em Luanda, apresentou esta semana a sua demissão do cargo, alegando que o presidente do partido, Adalberto Costa Júnior, não cumpriu a promessa de o nomear secretário-geral após a reeleição no XIV Congresso.
Segundo informações recolhidas por fontes próximas ao processo, a carta de demissão foi enviada ao gabinete da presidência da UNITA no início desta semana. Esta é a segunda vez, em menos de um ano, que Sapiñala solicita a exoneração. Na primeira ocasião, terá invocado falta de condições de trabalho numa praça eleitoral tão exigente como a capital angolana.
Promessa não cumprida e sentimento de ingratidão
Na missiva, o dirigente refere que Adalberto Costa Júnior lhe terá garantido o lugar de secretário-geral caso fosse reconduzido no congresso de novembro último. Contudo, o cargo foi atribuído a Liberty Chiyaka, antigo presidente do grupo parlamentar da UNITA e, tal como Sapiñala, membro da equipa de campanha que apoiou a recandidatura do líder.
A mesma fonte indica que outros elementos da “task force” eleitoral, incluindo a deputada Navita Ngolo, foram promovidos a posições de destaque, enquanto Sapiñala permaneceu no mesmo posto. O responsável interpreta esta decisão como falta de reconhecimento pelo seu contributo decisivo para a vitória de Adalberto Costa Júnior, que obteve cerca de 90% dos votos frente a Rafael Massanga Savimbi.
Durante a campanha, em círculos próximos, Sapiñala terá afirmado aos amigos e familiares que seria o próximo secretário-geral, confiando nas garantias recebidas. Dois meses após o congresso, realizado a 29 de novembro em Luanda, o não cumprimento da promessa acelerou o pedido de demissão.
Contactado sobre o assunto, o porta-voz da UNITA, Francisco Falua, declarou não dispor de qualquer informação oficial, recusando-se a prestar mais declarações.
Fonte: Jornal Pungo A Ndongo
