O Banco Millennium Atlântico (BMA) enfrenta uma onda crescente de insatisfação por parte dos seus clientes, com relatos generalizados de falhas operacionais, descontos não justificados em contas, atrasos prolongados em transferências e instabilidade no serviço digital Atlântico Direto. A situação tem levado muitos utentes a considerar o encerramento das suas contas, enquanto empresas ponderam acções judiciais contra a instituição.
Transferências demoram semanas, máquinas fora de serviço
Em várias agências espalhadas por Luanda e outras províncias, clientes relatam que transferências internas e interbancárias estão a levar até três semanas para serem disponibilizadas, contrariando os prazos regulamentares. Operações de levantamento e depósito também enfrentam constrangimentos recorrentes, incluindo a falta de numerário nos balcões e a indisponibilidade prolongada das máquinas de depósito automático algumas delas inativas há meses.
“Já fiz duas transferências de outros bancos para o meu BMA e nenhuma apareceu na conta após dez dias. Liguei ao atendimento, fui redirecionado três vezes e ninguém resolveu”, contou um cliente, sob condição de anonimato. “Estou a tratar do encerramento da conta. O banco promete melhorias, mas a realidade é outra.”
Descontos sem explicação e perda de confiança
Entre as reclamações mais graves estão descontos directos em contas sem aviso prévio ou justificação clara. Alguns utentes denunciam ainda o desaparecimento inexplicável de valores, o que tem alimentado temores sobre a segurança dos fundos depositados.
Fontes próximas ao sector indicam que algumas empresas já avançaram com processos judiciais contra o BMA, embora os números exactos não tenham sido divulgados. A suspeita de vulnerabilidades sistémicas ganhou força após a detenção, em Janeiro deste ano, de 19 pessoas ligadas à instituição, entre elas um engenheiro informático acusado de explorar falhas no sistema para desviar mais de mil milhões de kwanzas para contas de terceiros.
A Polícia Nacional, através da Direcção de Investigação de Ilícitos Penais (DIIP), confirmou o caso, revelando que a actividade criminosa foi detectada em Novembro de 2025. O funcionário terá aproveitado brechas tecnológicas para realizar transferências fraudulentas durante meses.
Reputação abalada e concorrência pressiona
O episódio agravou ainda mais a imagem do BMA junto do público, que já registava altos níveis de insatisfação. Dados do Banco Nacional de Angola (BNA) colocam o banco consistentemente entre as instituições financeiras com maior volume de queixas formais, especialmente nas áreas de atendimento, falhas técnicas e lentidão nos serviços.
Apesar de campanhas recentes de abertura de novas contas e promoções para atrair clientes, fontes do mercado financeiro afirmam que o BMA tem vindo a perder utentes de forma sustentada. “A perda de confiança é o pior ativo que um banco pode ter”, disse um analista do sector, que preferiu não se identificar.
Instituição mantém silêncio
Até à presente data, o Banco Millennium Atlântico não emitiu qualquer comunicado oficial sobre as queixas recentes, nem sobre os impactos decorrentes do caso de cibercrime. As tentativas de contacto com a assessoria de imprensa da instituição não foram respondidas.
Perante o cenário de incerteza, especialistas recomendam aos clientes maior vigilância sobre movimentações bancárias e a utilização de canais seguros para reportar irregularidades ao BNA ou às autoridades competentes.
Fonte: Imparcial Press
