Angola ocupa a 10.ª posição em África e a 94.ª no ranking global do Índice de Qualidade de Vida Digital 2025, elaborado pela empresa de cibersegurança Surfshark. O estudo, que analisou 121 países, destaca avanços no acesso à internet, mas alerta para fragilidades estruturais na infraestrutura digital, na segurança cibernética e na preparação para a inteligência artificial (IA).
O índice angolano registou 0,3466 pontos em 2025 uma ligeira queda face aos 0,3490 pontos de 2024, mas um salto significativo comparado a 2022 (0,2432) e 2023 (0,2937). Este progresso reflete esforços contínuos de expansão da conectividade, ainda que a qualidade e resiliência do ecossistema digital permaneçam insuficientes.

Acesso à internet: um dos melhores do mundo

Um dado positivo salientado no relatório é o desempenho de Angola no indicador de acessibilidade à internet, onde o país figura em 2.º lugar mundial, com 0,1155 pontos. Segundo a metodologia da Surfshark, este parâmetro mede o tempo médio que uma pessoa precisa trabalhar para obter uma conexão estável um fator-chave para a inclusão digital.
A ampla cobertura das redes móveis e a redução relativa dos custos de dados explicam, em parte, este resultado. No entanto, especialistas alertam que acessibilidade não é sinónimo de qualidade: muitos usuários enfrentam lentidão, interrupções e limitações em serviços digitais avançados.

Infraestrutura e segurança digital

Apesar do bom desempenho no acesso, Angola enfrenta sérios desafios noutras dimensões. Na segurança digital, o país ocupa apenas a 106.ª posição global, com uma pontuação de 0,04. O dado revela vulnerabilidades preocupantes em proteção de dados, confiança nas plataformas digitais e resistência a ciberataques  um risco crescente para instituições financeiras, serviços públicos e empresas privadas.
Peritos em tecnologia recomendam maior investimento em políticas de cibersegurança, formação técnica e implementação efetiva da Lei de Proteção de Dados Pessoais, aprovada em anos recentes.

Inteligência artificial: entre os piores do mundo

O indicador mais crítico diz respeito à preparação para a inteligência artificial, onde Angola surge em 118.º lugar entre 121 países, com apenas 0,07 pontos apenas três posições acima do último classificado. Este baixo desempenho aponta para a ausência de estratégias nacionais em IA, escassez de talento técnico especializado e fraca integração de tecnologias emergentes no setor produtivo.
“Estamos conectados, mas ainda longe de sermos digitais de forma madura”, afirma Dr. Amadeu Neto, professor de Tecnologia da Informação na Universidade Agostinho Neto. “Precisamos avançar de acesso básico para inovação sustentável.”

Comparação regional: Maurícias lideram; Angola no grupo intermediário

No continente africano, as Ilhas Maurícias lideram o ranking com 0,4795 pontos, seguidas por Marrocos (0,4577) e África do Sul (0,4380). Tunísia, Egipto e Gana também superam Angola, integrando um grupo de países com ecossistemas digitais mais consolidados.
Angola posiciona-se logo abaixo desses, ao lado de Botsuana (0,3506) e Argélia (0,3497), num bloco de economias emergentes que mostram progresso, mas ainda carecem de investimentos estruturantes.
O relatório da Surfshark reconhece os avanços de Angola na democratização do acesso à internet, mas sublinha que a mera conectividade não basta. Para impulsionar o desenvolvimento económico e social através da transformação digital, o país precisa fortalecer a qualidade da infraestrutura, reforçar a segurança cibernética e apostar na capacitação tecnológica especialmente em áreas estratégicas como a inteligência artificial.
O caminho está traçado. Falta agora convergir esforços entre Estado, sector privado e academia para construir um futuro digital mais resiliente, justo e inclusivo.
Fonte: O Telegrama

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