Os preços dos materiais de construção registaram uma desaceleração homóloga de 12% em Dezembro de 2025, a taxa mais baixa em 28 meses, segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). Apesar do abrandamento pelo oitavo mês consecutivo, especialistas questionam a credibilidade dos números oficiais, uma vez que o cimento chegou a ser comercializado a mais de 10 mil Kz no mercado informal, valor que não se reflecte no relatório do INE.

O Índice de Preços dos Materiais de Construção (IPMC) recuou 0,9 pontos percentuais (pp) em Dezembro face a Novembro, situando-se nos 12% em variação homóloga. Trata-se da menor taxa desde Agosto de 2023, quando o indicador marcou 11,3%. Desde o início do abrandamento, em Agosto de 2024, a inflação homóloga desacelerou 12,3 pp.

Em termos mensais, a variação foi de 0,17 pp entre Novembro e Dezembro. O INE sublinha que esta desaceleração indica que os preços continuam a subir, mas a um ritmo inferior ao registado em meses anteriores.

Disparidades entre dados oficiais e realidade do mercado

Um dado que tem gerado desconfiança entre especialistas e consumidores é a ausência de reflexo, nos números do INE, da subida vertiginosa do preço do cimento. O produto, essencial para a construção civil, chegou a ser vendido a mais de 10 mil Kz no mercado informal nos últimos meses de 2024 — mais do dobro do preço praticado à porta das fábricas.

No entanto, segundo o relatório do INE, o cimento consta entre os materiais com menores variações de preços em Dezembro, registando apenas 0,05%. Esta discrepância levanta questões sobre os métodos de recolha e classificação de dados utilizados pelo instituto.

Materiais com maiores altas de preços

Os produtos que lideraram as variações homólogas em Dezembro foram:

  • Blocos: 20,67%
  • Vigas, vigotas e ripas: 19,35%
  • Tijolo: 18,91%
  • Aço: 17,59%
  • Madeiras e contraplacado: 16,49%
  • Alumínio: 16,10%
  • Vidros e artigos de vidro: 14,22%

Em termos mensais, o aço liderou com 0,21 pp, seguido da areia (0,14 pp) e do alumínio (0,10 pp).

Fonte: Jornal Expansão 

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *