O antigo governador do Cuando Cubango e ex-ministro das Finanças, Júlio Marcelino Vieira Bessa, acusou o actual governo provincial de ter reconhecido, em Abril de 2025, uma dívida superior a 439 mil milhões de kwanzas (equivalente a mais de 460 milhões de dólares) a favor do empresário José Maria Zeferino valor que, durante o seu mandato (2019-2022), foi analisado e reduzido para cerca de 400 mil dólares. A denúncia, feita em entrevista à Rádio Essencial no sábado, 7 de Fevereiro de 2026, levanta questões sobre possível corrupção e impacto nas finanças públicas, num momento em que o Kwanza continua sob pressão e as famílias angolanas sentem o peso da contenção orçamental.

Origem da dívida e análise no mandato de Bessa

Júlio Bessa recordou que o empresário José Maria Zeferino reclamou, durante o seu consulado como governador, uma dívida de cerca de 440 milhões de kwanzas relativa ao fornecimento de caixões, alimentos e outros bens ao governo provincial e às Forças Armadas Angolanas (FAA).

Com a experiência adquirida como ministro das Finanças, Bessa ordenou uma análise rigorosa da reivindicação. A equipa concluiu que, após conversão e depuração, o valor real devido não ultrapassava os 400 mil dólares (cerca de 380 milhões de kwanzas à taxa da época).

O antigo governador informou o empresário do resultado e remeteu ofício ao Ministério das Finanças autorizando apenas o pagamento do montante certificado.

Acusações falsas e processo-crime

Poucos dias depois, surgiram notícias a sugerir que Júlio Bessa teria feito “negociata” com o empresário. O então governador provincial, o Ministério das Finanças e a Procuradoria-Geral da República (PGR) emitiram comunicados a desmentir a informação.

Bessa instaurou processo-crime contra José Maria Zeferino por apresentação de dados falsos. O empresário, segundo o antigo governador, pediu-lhe desculpas três meses após a saída de Bessa do cargo.

Reaparecimento da dívida em valor inflacionado

O que mais surpreendeu Júlio Bessa foi o reaparecimento da mesma dívida, agora reconhecida pelo actual governo provincial em valor superior a 439 mil milhões de kwanzas mais de mil vezes superior ao montante certificado no seu mandato.

“Há corrupção e isto é uma prova”, afirmou o ex-governador, manifestando incredulidade face ao facto de a dívida ter sido reavaliada sem explicação pública e com um processo-crime ainda em curso contra o beneficiário.

Fonte: Jornal Económico

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