A Cimenfort, única empresa com experiência no sector cimenteiro no consórcio que adquiriu a CIF Cimento e a CIF Logística, abandonou o projecto oito meses após a privatização dos activos pelo Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado (IGAPE), sem que a unidade a de maior capacidade produtiva do país – tenha reiniciado operações. A saída ocorreu por “acordo de cavalheiros”, segundo a própria empresa, num momento em que o consórcio ainda não efectuou qualquer pagamento ao Estado dos 180 mil milhões de kwanzas contratualizados.
A fábrica, localizada no município do Dande, província do Bengo, permanece paralisada devido ao elevado estado de degradação após anos de inactividade. Técnicos ouvidos pela nossa redacção estimam serem necessários investimentos na ordem dos 20 milhões de dólares para a sua reabilitação montante que deveria ser assegurado pelos novos concessionários antes do arranque produtivo. Segundo o contrato assinado em Junho do ano passado, a primeira prestação de aproximadamente 27 mil milhões de kwanzas deveria ter sido paga 45 dias após a assinatura, o que não aconteceu.
Em resposta por escrito, a Cimenfort confirmou a sua saída “por acordo mútuo entre as partes” e reafirmou o foco nos seus projectos de expansão em Benguela e noutros mercados. A empresa negou qualquer incumprimento contratual e declarou desconhecer o estado actual das obrigações financeiras perante o Estado. Já a Griner e a Mercons as outras duas empresas que compõem o consórcio não responderam aos nossos contactos. O IGAPE, por seu turno, não se pronunciou sobre eventuais sanções ou renegociação dos termos de pagamento, apesar de contactado há mais de duas semanas.
A situação preocupa especialistas do sector da construção civil, que recordam que a unidade da CIF tem capacidade para produzir 3,5 milhões de toneladas de cimento por ano volume essencial para responder à procura interna e reduzir a dependência das importações, que pesam significativamente na balança comercial angolana. Enquanto a fábrica permanece inactiva, o país continua a importar quantidades consideráveis do produto, com impacto directo nos custos das obras públicas e privadas.
O leilão que atribuiu os activos àquele consórcio, realizado em Maio de 2025, foi contestado na altura por outros concorrentes nomeadamente o consórcio China Huashi Group e a Huaxin Cement – que alegaram irregularidades no processo de pré-qualificação. O IGAPE manteve, contudo, a decisão de atribuição ao grupo formado pela Cimenfort, Griner e Mercons.
Fonte: Valor Económico

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