A Guarda Revolucionária do Irão reafirmou nesta quarta-feira, 4 de Março, que mantém “controlo total” sobre o Estreito de Ormuz, em resposta directa às declarações do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que ameaçou enviar navios da Marinha norte-americana para escoltar petroleiros na passagem estratégica. A escalada verbal ocorre num momento crítico para o mercado global de energia, já que cerca de 20% do petróleo mundial transita pela região.
Em comunicado divulgado pela agência noticiosa Fars, o comandante Mohammad Akbarzadeh foi categórico: “Actualmente, o Estreito de Ormuz está sob o controlo total da Marinha da República Islâmica”. O militar advertiu ainda que qualquer embarcação que tente atravessar a zona sem autorização pode ser alvo de mísseis ou drones.
A declaração surge um dia depois de Trump ter afirmado, na terça-feira 3, que os Estados Unidos poderiam destacar navios de guerra para proteger petroleiros que circulam na área. A ameaça norte-americana foi motivada pelo anúncio iraniano de fecho da passagem e de resposta com “força” a tentativas de travessia de embarcações estrangeiras.
Importância estratégica do Estreito de Ormuz
O Estreito de Ormuz é uma das rotas marítimas mais importantes do mundo para o sector energético. Localizado entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, por ali transita aproximadamente um quinto de todo o petróleo transportado por via marítima, além de grandes volumes de gás natural liquefeito, especialmente provenientes do Catar e da Arábia Saudita.
Devido à sua relevância geopolítica, qualquer ameaça à navegação no Estreito de Ormuz provoca reacções imediatas nos mercados internacionais de energia. Historicamente, tensões na região têm impacto directo nos preços do petróleo e do gás natural a nível mundial, afectando economias dependentes da importação de hidrocarbonetos — incluindo Angola, que acompanha de perto as flutuações do mercado petrolífero global.
A troca de ameaças entre Washington e Teerão insere-se num padrão de tensões recorrentes no Golfo Pérsico, região onde os interesses energéticos, militares e geopolíticos das grandes potências frequentemente colidem. Analistas internacionais alertam que um bloqueio efectivo do Estreito de Ormuz teria consequências catastróficas para a economia mundial.
Fonte: Revista Oeste
