O presidente executivo da Mota-Engil, Carlos Mota Santos, afirmou esta sexta-feira que Angola exige dos investidores uma visão estrutural e de longo prazo, afastando abordagens oportunísticas. Em declarações proferidas na Conferência Negócios Radar África, em Lisboa, o responsável destacou que a confiança da construtora lusa no mercado nacional se traduz na concretização de projectos estratégicos — entre os quais se destaca a vitória no concurso para a concessão do novo aeroporto internacional de Luanda, cuja assinatura do contrato está prevista para as próximas semanas.
Perante um auditório composto por empresários e analistas económicos, Mota Santos sublinhou que “Angola não é um mercado para apostas casuísticas ou de curto prazo”. Para o gestor, o sucesso sustentável passa por “investimento de capitais sólidos, formação de quadros locais e planos de negócios robustos”. A Mota-Engil, que opera em Angola há mais de quatro décadas, exemplificou essa estratégia ao alargar a sua actuação para além das infraestruturas tradicionais: actualmente, a empresa desenvolve projectos agrícolas em Cabinda — nomeadamente na produção de cacau e caju — e investe em créditos de carbono, alinhando-se com as prioridades de diversificação da economia nacional.
O responsável apelou ainda às empresas portuguesas dos sectores agroalimentar, farmacêutico, industrial e de serviços para que “olhem para Angola com ambição estruturante”. Na sua perspectiva, o país possui “um potencial brutal para investimento”, impulsionado por necessidades concretas de desenvolvimento e por uma posição geostratégica que o posiciona como hub logístico para o mercado africano.
Rui Miguel Nabeiro, presidente executivo da Delta Cafés e também interveniente no painel, corroborou esta visão ao destacar que “Angola é hoje uma porta de entrada privilegiada para as empresas que ambicionam expandir-se para África subsariana”. O gestor lembrou que, se Portugal funciona como plataforma de acesso das empresas angolanas à Europa, o inverso também se verifica — reforçando a complementaridade das relações económicas bilaterais.
A concretização da concessão do novo aeroporto de Luanda surge como sinal tangível deste compromisso. O projecto, que visa descongestionar o actual Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro e impulsionar o turismo e o comércio aéreo, representa um marco na parceria público-privada em Angola e na aposta na modernização da infraestrutura nacional de transportes.
Fonte: Jornal Económico/Lusa
