O Grupo Carrinho tornou-se o primeiro operador privado angolano a atingir fase avançada de negociação para acesso a financiamento internacional no âmbito do Corredor do Lobito, com previsão de desembolso de 150 milhões de dólares até ao final de 2026. O montante, a ser concedido em parceria pela Corporação de Financiamento para o Desenvolvimento dos Estados Unidos (DFC), Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) e Proparco (ligado à Agência Francesa de Desenvolvimento), destinar-se-á à construção de silos, secadores, armazéns e outras infraestruturas logísticas nas províncias da Huíla e Malanje, além de unidades ao longo do corredor.
As conversações ganharam impulso após a visita de trabalho realizada em Dezembro de 2024 ao complexo industrial do grupo, na província do Huambo, altura em que o então Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, se reuniu com os Chefes de Estado de Angola, República Democrática do Congo e Zâmbia — países integrantes do projecto estratégico. Fontes familiarizadas com o processo confirmaram ao Jornal de Angola que as negociações seguem “num ritmo consistente”, aguardando-se agora as validações finais das entidades financiadoras.
O grupo liderado por Nelson Carrinho responderá por 31,72% do investimento total necessário à execução do projecto — cerca de 473 milhões de dólares. Os restantes 323 milhões serão solicitados à banca local, ao abrigo do Aviso nº 10 do Banco Nacional de Angola (BNA), que incentiva o financiamento a projectos de interesse estratégico. Em nota enviada à nossa redacção, a empresa esclareceu que ainda não formalizou pedidos junto a instituições financeiras nacionais, aguardando primeiro a aprovação do financiamento externo para garantir condições mais favoráveis.
“Trata-se de uma operação complexa, que exige alinhamento entre fontes internacionais e nacionais. Qualquer movimento prematuro junto à banca local poderia comprometer as condições já negociadas com os parceiros estrangeiros”, explicou fonte próxima ao processo, sublinhando a necessidade de rigor técnico na estruturação do pacote financeiro.
O BAD, por seu turno, mantém em avaliação uma carteira de projectos superiores a 200 milhões de dólares para o Corredor do Lobito, com potencial de expansão até aos 500 milhões. No entanto, os financiadores demonstram cautela na concessão de linhas a operadores privados, exigindo cumprimento rigoroso de padrões ambientais, sociais e de governação. Actualmente, menos de uma dezena de empresas angolanas têm propostas em análise, destacando-se também o Grupo Opaia, cujo pedido de financiamento para infraestruturas deverá ser analisado em 2027.
No quadro global do Corredor do Lobito, 13 instituições — maioritariamente norte-americanas — integram o consórcio de financiamento, com uma carteira prevista de 7,9 mil milhões de dólares distribuídos por seis sectores estratégicos. Destacam-se os investimentos em transporte e logística (2,54 mil milhões), agricultura (2,52 mil milhões) e energias renováveis (2,55 mil milhões), sectores considerados fulcrais para a diversificação da economia nacional e a integração regional.
Fonte: Valor Económico

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