A Sonangol está a negociar com investidores chineses um financiamento de 4,8 mil milhões de dólares para concluir a refinaria do Lobito — projecto estratégico avaliado em 6,2 mil milhões de dólares, com entrada em operação prevista para 2027 e capacidade para processar 200 mil barris de crude por dia. A iniciativa insere-se numa reorientação da política energética nacional, que passa a encarar a refinação não como actividade secundária, mas como pilar central da soberania energética angolana.
Segundo o Observatório AOG (edição n.º 3/2026), especializado na análise do sector energético em África Lusófona, os preparativos para uma segunda unidade de refinação — desta vez em Soyo, com capacidade para 100 mil barris diários — seguem em curso. Em conjunto, os dois empreendimentos representam um salto qualitativo na estratégia industrial do país, que historicamente exporta crude bruto e importa combustíveis refinados a preços voláteis do mercado internacional.
A conjuntura actual favorece os planos de Luanda: com o barril de Brent a negociar acima dos 61 dólares previstos no Orçamento Geral do Estado para 2026, o país dispõe de uma margem fiscal mais alargada. Contudo, como alertou recentemente o ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano, Angola mantém uma fragilidade estrutural — a dependência das importações de gasóleo, gasolina e outros derivados, cujos custos pressionam a balança comercial mesmo em períodos de receitas petrolíferas elevadas.
“Trata-se de um círculo vicioso: quanto mais subimos na produção de crude, mais ficamos expostos às oscilações dos preços internacionais dos combustíveis refinados”, explicou um analista do sector energético contactado pela nossa redacção, sob condição de anonimato. “Ter refinarias operacionais em solo nacional não elimina a volatilidade global, mas dá-nos margem de manobra para estabilizar o abastecimento interno e evitar choques de preços no posto de combustível.”
O cenário ganhou urgência após a recente turbulência nos mercados petrolíferos, desencadeada pelo conflito envolvendo o Estreito de Ormuz — via marítima crítica para o transporte de crude. Em poucos dias, o barril oscilou entre 119 dólares (pico de tensão) e 86 dólares (última cotação disponível), recordando a vulnerabilidade dos países exportadores que não dominam a cadeia completa de valor do petróleo.
A Sonangol não confirmou oficialmente os termos do acordo com os parceiros chineses, mas fontes familiarizadas com as negociações indicam que o modelo prevê uma parceria público-privada com garantias soberanas, seguindo o padrão de outros grandes projectos de infra-estruturas no país. O Ministério dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás deverá pronunciar-se formalmente após a conclusão das diligências técnicas e financeiras em curso.
Fontes: Forbes África Lusófona
