A Ghassist, antiga prestadora de serviços de assistência em terra à TAAG, denuncia uma dívida acumulada de cerca de 9 milhões de dólares por parte da companhia aérea de bandeira. A empresa afirma que, mesmo após a TAAG ter formalizado uma nova parceria com a Menzies Aviation Angola, os seus equipamentos continuam a ser utilizados — agora pela nova operadora — sem que a dívida anterior tenha sido resolvida.
A relação entre a TAAG – Linhas Aéreas de Angola e a Ghassist, que durante anos dominou o segmento de ground handling no país, está sob escrutínio. Fontes ligadas à Ghassist revelaram ao nosso jornal que a companhia de bandeira nunca foi regular nos pagamentos ao longo dos últimos dez anos, acumulando uma dívida estimada em 9 milhões de dólares (equivalente a mais de 10 mil milhões de kwanzas).
“Nunca honrou uma fatura mensal na totalidade, pagava sempre em parcelas, apesar de ser um dos clientes que mais exigia”, afirmou a fonte, destacando que a TAAG representava cerca de 52% da actividade da Ghassist. Esse peso obrigava a empresa a constantes “exercícios de gestão de tesouraria” para suportar os atrasos recorrentes.
O caso ganhou novos contornos com a entrada em funcionamento do Novo Aeroporto Internacional Dr. António Agostinho Neto, onde a TAAG já transferiu as suas operações internacionais desde outubro de 2025. Nesse novo cenário, a companhia optou por uma joint venture com a Menzies Aviation Angola, formada pela Nas Aviation Services (60%) e pela Sociedade Gestora de Aeroportos, S.A. (SGA) (40%).
Contudo, segundo a mesma fonte da Ghassist, os equipamentos alugados anteriormente à TAAG estão agora a ser utilizados pela Menzies — que também presta serviços a outras companhias internacionais — sem que haja qualquer regularização financeira com a antiga fornecedora. “O mais grave é que os equipamentos alugados a pedido da TAAG estão agora a ser utilizados pela Menzies”, questionou, sugerindo que a nova operadora “não reunia condições plenas para assumir determinadas operações em contexto de concurso”.
A Ghassist contesta ainda a narrativa oficial de que detinha uma posição monopolista. Um relatório governamental de 2021, inserido no Plano Director Nacional dos Transportes e Infraestruturas Rodoviárias, apontava insatisfação generalizada das companhias aéreas com os serviços da empresa, citando preços elevados, falta de pessoal e alegado tratamento preferencial à TAAG.
Em resposta, a Ghassist argumenta que a situação actual é “mais grave”, pois os novos operadores “entraram sem concurso e sem equipamentos próprios”, utilizando meios alugados à própria Ghassist e cobrando tarifas superiores às praticadas no antigo Aeroporto 4 de Fevereiro, apesar das melhores condições infraestruturais do novo terminal.
Contactada, a TAAG recusou-se a comentar o montante da dívida. Em nota enviada, limitou-se a reafirmar que, “sobre o serviço de ground handling e a parceria com a SGA e a Menzies, no âmbito da constituição da joint venture Menzies Aviation Angola, mantém aquilo que já é público”.
Fonte: Valor Económico

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *