A África do Sul afirma ter gasto 293 milhões de rands no repatriamento de estrangeiros indocumentados e pediu formalmente o reembolso desse valor aos governos do Malawi, Nigéria e Etiópia. O director-geral do Ministério do Interior sul-africano, Tommy Makhode, revelou a informação esta terça-feira perante a Comissão Parlamentar dos Assuntos Internos, justificando que o quadro legislativo não prevê verbas específicas para operações de repatriamento em massa.
Dos 293 milhões de rands, cerca de 203 milhões foram destinados ao aluguer de autocarros para transportar os indocumentados até aos centros de repatriamento e 48 milhões serviram para a criação e funcionamento do centro temporário de Musina, na província de Limpopo. Até 7 de Agosto, as autoridades sul-africanas já tinham repatriado 89.936 estrangeiros sem documentos.
Para o cidadão angolano, a situação é relevante porque a África do Sul continua a ser um destino importante de migração laboral na região da SADC. Qualquer tensão migratória no país vizinho pode afectar redes familiares, fluxos de remessas e a estabilidade económica de milhares de angolanos que trabalham ou têm parentes naquele território, num contexto em que o kwanza e o poder de compra das famílias já enfrentam pressões.
Pedido formal de reembolso
Makhode confirmou que foram enviadas cartas ao governo do Malawi e às embaixadas da Nigéria e da Etiópia, solicitando o reembolso dos custos através do Departamento de Relações Internacionais e Cooperação (Dirco). As autoridades sul-africanas aguardam resposta.
A operação intensificou-se após a retomada, em Junho, de protestos contra a imigração ilegal. Organizações como a March and March e a Operation Dudula exigiram a saída dos estrangeiros sem documentos até 30 de Junho, sob ameaça de paralisação nacional.
O censo sul-africano de 2022 registou 2,4 milhões de imigrantes estrangeiros no país, o equivalente a cerca de três por cento da população. A maior parte é originária da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), com destaque para o Zimbabwe, Moçambique e Lesotho.
