O Presidente da República, João Lourenço, inaugurou, esta quarta-feira, em Luanda, o Memorial “Aliança Eterna”, erguido em homenagem aos cidadãos que perderam a vida durante os conflitos políticos ocorridos em Angola entre 11 de Novembro de 1975 e 4 de Abril de 2002.

A cerimónia de inauguração do Memorial “Aliança Eterna” incluiu a transmissão de uma mensagem religiosa, intervenção do ministro da Justiça e dos Direitos Humanos, descerramento da placa, corte da fita inaugural e deposição de uma coroa de flores.

O programa contemplou igualmente uma visita do Presidente da República às instalações, que integram o memorial, um espaço de memória e a Mulembeira da Reconciliação, três elementos que compõem a infraestrutura.

A cerimónia incluiu ainda a exibição de um vídeo institucional que destacou o pedido de perdão do Presidente da República, João Lourenço, dirigido às vítimas dos conflitos políticos em Angola, proferido em 2021, no âmbito dos esforços de reconciliação nacional.

O vídeo retrata igualmente o processo de busca, localização e identificação dos restos mortais das vítimas, bem como a sua entrega às respectivas famílias, que aguardaram durante longos anos pela possibilidade de recuperar os seus entes queridos e lhes proporcionar um funeral condigno.

O monumento constitui um espaço de homenagem às vítimas, reflexão sobre a história recente do país e preservação da memória histórica e colectiva, com vista ao reforço da reconciliação nacional e à transmissão às novas gerações dos valores da paz, da unidade e da convivência entre os angolanos.

Retrata o percurso histórico de Angola desde a proclamação da Independência Nacional até ao alcance da paz, com o fim do conflito armado, e procura contribuir para a compreensão dos acontecimentos que marcaram a vida do povo angolano.

Localizado no município da Ingombota, na zona da Nova Marginal, junto ao Memorial Dr. António Agostinho Neto, o empreendimento pretende valorizar a memória das vítimas dos conflitos políticos e promover uma consciência colectiva assente no conhecimento da história e na rejeição da violência.

Com 35 metros de altura e nove pisos, o Memorial “Aliança Eterna” é constituído por dois blocos articulados entre si, cuja configuração evoca um abraço, símbolo de reconciliação e de pedido de perdão entre os angolanos.

O complexo integra um edifício técnico, uma loja de recordações, um espaço de acervo digital, uma sala de convenções e exposições, um parque de estacionamento com capacidade para 106 viaturas e uma praça com áreas paisagísticas destinadas aos visitantes.

O projecto combina arte, engenharia e arquitectura, com inspiração na ancestralidade e nas expressões culturais das diferentes regiões do país.

A concepção incorpora referências às sete escolas culturais angolanas e às diversas etnias nacionais, numa perspectiva de reconhecimento do sofrimento causado pelos conflitos e de valorização da diversidade cultural.

Simbolismo da união e reconciliação

Do ponto de vista simbólico, a estrutura do memorial representa a aproximação entre os angolanos.
O complexo é composto por duas torres, uma associada ao conflito e outra à paz, ligadas por um anel superior que simboliza a reconciliação nacional.

A arquitecta Fineza Teta, autora do projecto, explicou que as duas torres são “abraçadas por um manto cultural”, enquanto o anel representa a união entre o conflito e a paz.

Segundo a arquitecta, o anel superior foi concebido para proporcionar aos visitantes uma experiência emocional e sensorial sobre o sofrimento vivido pela população durante os anos de guerra.

Fineza Teta explicou que o Hall da Memória integra quatro estruturas em forma de arco, inspiradas no arco-íris, símbolo de bonança e reconciliação.

Os elementos representam igualmente quatro dimensões de poder com influência na vida social e política, nomeadamente a família, a cultura, a religião e o poder político.

O espaço alberga também esculturas e símbolos ligados à renovação nacional, entre os quais a “Angola Renascente”, que representa uma mãe com os filhos voltados para o futuro e para o desenvolvimento do país.

Outro elemento de destaque é a “Mulembeira Petrificada”, rodeada por uma floresta branca, concebida para simbolizar a transmissão da memória histórica e dos ensinamentos das vítimas às gerações futuras.
A arquitecta salientou que o propósito do memorial não é alimentar divisões ou ressentimentos, mas preservar a história, promover a reflexão colectiva e contribuir para que os erros do passado não se repitam.

“A ideia não é levantar ânimos ou guerrilhas, mas permitir que conheçamos a nossa história, porque quem desconhece o passado corre o risco de repetir os mesmos erros”, referiu.

A preservação da memória histórica e colectiva assume, assim, um papel essencial na reconciliação nacional, ao permitir que as novas gerações conheçam os acontecimentos que marcaram Angola, reconheçam o sofrimento das vítimas e valorizem a paz como conquista comum dos angolanos.

Fonte: ANGOP

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