Os cientistas políticos consideram que a criação de novos partidos em vésperas de eleições é a única via para aceder ao “grande bolo nacional”. Esta leitura surge numa altura em que o Tribunal Constitucional (TC) reconheceu o Bloco para a Alternância Social de Todos Angolanos (BASTA) e o Partido União Patriótica (PUB), elevando para 16 o número de forças políticas legalmente constituídas em Angola.
De acordo com os especialistas, o aparecimento recorrente de projectos partidários neste período do calendário eleitoral reflecte um sistema onde o acesso a cargos na administração pública e no aparelho de Estado continua fortemente dependente da filiação ao partido no poder.
As deliberações do TC, que funcionou nesta matéria como tribunal eleitoral, ocorrem a sensivelmente um ano das próximas Eleições Gerais, agendadas para Agosto de 2027. O BASTA é liderado por Joveth Domingos e o PUB por Mateus Barros.
O reconhecimento destas duas forças confirma uma tendência de aceleração na legalização de partidos. Nos últimos dois anos, a instância judicial validou cinco novas formações políticas PRA-JA Servir Angola, Partido Liberal, Partido Cidadania, BASTA e PUB -, o que fixa uma média de 2,5 partidos aprovados por ano.
Em reacção ao Valor Económico, os politólogos afirmam que muitos partidos políticos são constituídos não por terem um projecto de sociedade para apresentar aos cidadãos como via alternativa, mas sim, acrescentam, em resultado da leitura que fazem do país, segundo a qual o provimento de cargos de maior relevo (nomeadamente nos órgãos de soberania e nos governos provinciais e municipais) depende directamente da militância partidária.
Para o politólogo David Sambongo, ao analisar o sistema político nacional, os angolanos têm apenas duas alternativas para poderem almejar posições de destaque: aliar-se aos partidos já existentes no actual panorama político ou criar a sua própria força política para, posteriormente, estabelecer alianças com quem detém o poder.
David Sambongo considera que, do universo partidário, a verdadeira disputa pelo poder será travada entre o MPLA e a UNITA, admitindo, contudo, o PRA-JA de Abel Chivukuvuku como terceira força. Quanto às restantes formações, o analista prevê que consigam apenas eleger um ou dois deputados, correndo as demais o risco de extinção.
Por sua vez, Albino Pakissi sublinha que a sociedade deve estar atenta a este novo fenómeno do fazer política, uma vez que, nos últimos tempos, têm surgido movimentos da sociedade civil com cariz político capazes de se aliar aos partidos para viabilizar a alternância em 2027.
Albino Pakissi exemplifica com o caso de Luís de Castro, figura durante muito tempo ligada aos movimentos cívicos, mas que, desde 2024, legalizou o seu próprio partido, o Partido Liberal, junto do Tribunal Constitucional.
Actualmente, o país conta com 16 forças políticas, nomeadamente: MPLA, UNITA, FNLA, PRS, PHA, PDP-ANA, PADDA-AP, PALMA-Renova Angola, PSA, Bloco Democrático, PPA, Cidadania, PRA-JA Servir Angola, CASA-CE, BASTA e PUB.
Fonte: Valor Económico

