O Presidente da República, João Lourenço, defendeu esta quinta-feira, 22, em Luanda, o reforço da cultura de não-violência nas sociedades africanas, através da promoção do diálogo, da moderação e da concórdia, como forma de prevenir crises e garantir a resolução pacífica dos conflitos.
Ao discursar na abertura da 4.ª edição da Bienal de Luanda, Fórum Pan-Africano para a Cultura de Paz e Não-Violência, o Chefe de Estado destacou a importância da mobilização conjunta dos governos, instituições políticas, organizações da sociedade civil, comunidades académicas e parceiros internacionais na construção de sociedades mais pacíficas.
João Lourenço considerou que a prevenção dos conflitos exige uma mudança de mentalidade na relação entre os governos e os cidadãos, defendendo a adopção de iniciativas capazes de antecipar crises, neutralizar tensões e promover comportamentos assentes no respeito mútuo e na convivência pacífica.
O Presidente sublinhou igualmente que a cultura de paz deve fazer parte do quotidiano dos cidadãos e das instituições, com particular envolvimento das escolas, dos colectivos profissionais e de outros sectores da sociedade, para contribuir para o objectivo de silenciar as armas em África, inscrito na Agenda 2063 da União Africana.
Na sua intervenção, o estadista angolano apontou o acesso à água como uma das questões que devem ser consideradas na análise das causas dos conflitos no continente, tendo em conta as disputas por recursos naturais, as deslocações forçadas de populações e a pressão migratória sobre os centros urbanos.
Como exemplo, João Lourenço destacou os projectos do Executivo de combate aos efeitos da seca no sul de Angola, que, segundo afirmou, estão a transformar zonas áridas em áreas com condições para a produção agrícola e a criação de animais.
O Presidente considerou que a disponibilização de água permite, além de impulsionar a actividade económica e atrair investimentos, reduzir as tensões entre comunidades que disputam este recurso essencial à sobrevivência.
Entre as iniciativas em curso, mencionou o sistema de transferência de água a partir do rio Cunene, no âmbito do programa de combate aos efeitos da seca no sul do país, destinado a responder a um problema que afectou durante décadas vastas regiões do território nacional.
A 4.ª edição da Bienal de Luanda decorre nos dias 22 e 23 de Outubro, sob o lema “Reforço da Governação da Água em África como Instrumento de Prevenção, Mediação e Resolução de Conflitos”, reunindo representantes de governos, organizações internacionais e diferentes sectores da sociedade para debater soluções para a paz, a estabilidade e o desenvolvimento sustentável em África.
