Sonangol aposta na energia solar e mantém entrada em bolsa como prioridade estratégica

A Sonangol está a desenvolver projectos de energia solar para diversificar a matriz energética de Angola, atrair parceiros estratégicos e criar novas fontes de receitas, numa altura em que procura reforçar a produção de petróleo e gás e expandir a capacidade nacional de refinação. A estratégia foi revelada pelo presidente do Conselho de Administração (PCA) da petrolífera estatal, Sebastião Gaspar Martins, numa entrevista à Bloomberg News, na qual reafirmou também que a entrada da empresa em bolsa, através de uma oferta pública inicial de acções (IPO), continua a ser uma prioridade, embora sem calendário definido.

No domínio dos investimentos internacionais, o gestor admitiu a possibilidade de a Sonangol reforçar a sua participação no Banco Comercial Português (BCP), caso o conglomerado chinês Fosun International avance com a venda da posição de 20,45% que detém na instituição financeira. Actualmente, a petrolífera angolana controla 19,9% do BCP e possui uma participação indirecta de aproximadamente 16,9% na Galp Energia. Sebastião Gaspar Martins sublinhou, contudo, que ainda não existe qualquer decisão sobre uma eventual aquisição de novas acções, que dependerá das condições de mercado, dos retornos esperados e do interesse estratégico da operação.

A possibilidade de reforçar a presença no BCP surge numa altura em que a Sonangol poderá ser obrigada a vender parte das suas acções para evitar ultrapassar o limite de 20% do capital, devido ao programa de recompra de títulos em curso no banco português. Uma participação superior a esse patamar exigiria autorização do Banco Central Europeu. Desde o início do ano, as acções do BCP registaram uma valorização de cerca de 23%, superando o crescimento de 15% do índice PSI da bolsa de Lisboa.

Relativamente ao desempenho financeiro, Sebastião Gaspar Martins manifestou confiança na capacidade da Sonangol de manter resultados operacionais e financeiros resilientes em 2026, sustentados pelo aumento da produção e pelos investimentos nos sectores petrolífero, do gás e da refinação. O PCA considerou igualmente que a redução gradual dos subsídios aos combustíveis deverá aliviar os encargos financeiros da actividade de distribuição da empresa. Em Fevereiro, a petrolífera tinha antecipado que o lucro líquido preliminar de 2025 ultrapassaria os 750 milhões de dólares, num contexto em que Angola continua fortemente dependente das receitas petrolíferas.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *