O Estado executou, durante o primeiro semestre, cerca de 5,3 biliões de kwanzas na rubrica “despesa relacionada com o Estado”. O valor corresponde a 51,8% do total orçamentado para este segmento no Orçamento Geral do Estado (OGE) 2026, revelando uma taxa de execução significativamente superior à dos sectores sociais e produtivos, revela um relatório.

Estes números evidenciam que a administração pública continua a dar prioridade aos seus próprios encargos operacionais e administrativos. Em contrapartida, áreas basilares da sociedade, como a Educação, a Saúde, o apoio às famílias e o fomento às empresas, apresentam níveis de execução orçamental mais reduzidos, indicam dados do relatório Económico do II Semestre, elaborado pelo Centro de Investigação Económica da Universidade Lusíada de Angola (CINVESTECO).

Ao comparar o tecto orçamental fixado no OGE 2026 para esta rubrica, fixado em aproximadamente 10,4 biliões de kwanzas, com a verba efectivamente gasta nos primeiros seis meses do ano, os investigadores concluem que o funcionamento do aparelho estatal voltou a sobrepor-se às necessidades prioritárias do país.

Em contrapartida, a Educação que tem no OGE 2026 uma despesa de 2,2 biliões de kwanzas executou apenas 749 mil milhões, valor correspondente a 32,6%. Na saúde, a execução foi de 735 mil milhões de kwanzas, cerca de 35%, face aos 2,1 biliões de kwanzas contemplados no OGE 2026.

Por este moctivo, o centro de investigação defende uma revolução necessária na estrutura da despesa, que consiste em reduzir drasticamente a despesa do Estado consigo próprio, destinando essas verbas as famílias e as empresas.

Entre as incongruências encontradas destaca-se, por exemplo, as transferências para as famílias que viram a despesa por natureza alcançarem 571 mil milhões, quando o apoio social na despesa por função soma apenas 348 mil milhões de kwanzas.

Fonte: Valor Económico

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