O Banco Económico, antigo BESA, apresentou uma notável redução de prejuízo em 2024, passando de AOA 297,8 mil milhões (US$ 359 milhões) em 2023 para apenas AOA 3,3 mil milhões (US$ 3,6 milhões), uma redução de 99%. Este resultado surpreendente foi alcançado sob a liderança do novo presidente da Comissão Executiva, Jorge Manuel Torres Pereira Ramos, que assumiu funções em julho de 2024.
Contudo, apesar desta aparente recuperação, a instituição continua em falência técnica. As demonstrações financeiras revelam que os fundos próprios do banco permanecem em valores negativos, tendo inclusive se agravado para AOA -627,3 mil milhões. Esta situação mantém o banco dependente da implementação do Plano de Recapitalização e Reestruturação.
O ativo do banco cresceu 16%, alcançando AOA 839 mil milhões (US$ 920 milhões) em comparação com AOA 725 mil milhões (US$ 875 milhões) em 2023. Paralelamente, o passivo
aumentou 9%, atingindo AOA 1,47 biliões (US$ 1,61 mil milhões), dos quais aproximadamente AOA 1,04 biliões (US$ 1,14 mil milhões) correspondem a depósitos de clientes.
A concessão de crédito sofreu uma redução significativa de 27%, caindo para AOA 52 mil milhões (US$ 57 milhões), em contraste com os AOA 72 mil milhões (US$ 87 milhões) concedidos em 2023. Para fazer face aos incumprimentos, o banco constituiu provisões de AOA 9,2 mil milhões (US$ 10,1 milhões) em 2024, um aumento de AOA 4,7 mil milhões (US$ 5,5 milhões) em relação ao período homólogo.
Um destaque positivo foi o crescimento expressivo nos investimentos em títulos e valores mobiliários, que registaram um aumento de 331%, passando de AOA 107 mil milhões (US$ 131 milhões) para AOA 470 mil milhões (US$ 515 milhões).
Vale ressaltar que as contas apresentadas ainda não foram auditadas, e aguarda-se a publicação do Relatório e Contas completo para obter mais detalhes sobre a origem deste resultado considerado “milagroso”, especialmente considerando o histórico de resultados negativos que o banco vem acumulando desde 2019, com exceção apenas de 2021. OT
