Logotipo do Banco de Fomento Angola (BFA) com fundo azul, representando a instituição financeira angolana em destaque no IPO de julho de 2025.

O Banco de Fomento Angola (BFA) prepara-se para um Initial Public Offering (IPO) em julho, com dois potenciais investidores institucionais na corrida por uma participação qualificada: o grupo liderado por Silvestre Tulumba Kapose e o fundo londrino Gemcorp. A Unitel, detida pelo Estado angolano, planeia alienar 15% do capital, enquanto o BPI, controlado pelo Caixabank, colocará 14,75% no mercado, totalizando 29,75% do capital do banco.

Candidatos ao IPO

O grupo Silvestre Tulumba, em ascensão no mercado angolano, surge como um forte concorrente. Liderado pelo empresário que controla o Banco de Crédito do Sul (BCS), o grupo já manifestou interesse no BFA e na Unitel, que detém 51,9% do banco. Tulumba também está envolvido em projetos industriais, como o complexo POIBA no Kikuxi, que será inaugurado em setembro para produzir bens alimentares essenciais, alinhado com a estratégia do Presidente João Lourenço para reduzir importações.

A Gemcorp, com sede em Londres e liderada por Atanas Bostandjiev, mantém-se como outro potencial investidor. Presente em Angola desde 2007, o fundo tem financiado grandes projetos, incluindo a refinaria de Cabinda e a expansão da Angola Telecom. Recentemente, negociou um financiamento de 2 mil milhões de dólares com o governo angolano.

Contexto do IPO

O IPO, comunicado à Bolsa de Valores e Dívida de Angola (Bodiva), confirma as intenções anunciadas em dezembro de 2024 pelo secretário de Estado para as Finanças e Tesouro, Ottoniel dos Santos, de avançar com as privatizações da Unitel, BFA e Standard Bank até meados de 2025. O BPI, que avalia a sua participação de 48,1% no BFA em 340 milhões de euros, poderá arrecadar cerca de 100 milhões de euros com a venda de 14,75%. Em 2024, o BFA contribuiu com 39 milhões de euros para o lucro do BPI, que totalizou 588 milhões de euros.

Negociações anteriores, em 2023, entre o BPI, o grupo Carrinho e a Gemcorp para a venda total da participação do BPI foram suspensas devido à depreciação do kwanza. O grupo Carrinho não participará neste IPO.

Desempenho e relevância do BFA

O BFA é o banco angolano mais bem posicionado no ranking da African Business Magazine, ocupando a 39.ª posição entre os 100 melhores bancos africanos. A operação de IPO reflete a reestruturação do setor financeiro angolano, num contexto de privatizações e combate à corrupção, com ativos recuperados pelo Estado em processos judiciais.

Outros desenvolvimentos

Paralelamente, o IGAPE anunciou a venda de ativos da CIF Angola, recuperados no âmbito do combate à corrupção. A Unidade de Montagem de Automóveis CIF foi leiloada por 10,3 mil milhões de kwanzas (9,8 milhões de euros) ao grupo OPAIA, enquanto a Fábrica de Cimento CIF CEMENT atingiu 180 mil milhões de kwanzas (171 milhões de euros), com o consórcio Griner/Ciment/Mercons como vencedor. A Fábrica de Cerveja CIF Lowenda foi arrematada por 29,1 mil milhões de kwanzas (27,7 milhões de euros) pela Rushan Shuguang Cerveja Ltd.

No Tribunal Supremo, o julgamento envolvendo a CIF Angola e os generais Hélder Vieira Dias Júnior “Kopelipa” e Leopoldino do Nascimento “Dino” foi suspenso até 13 de maio devido a questões sobre a titularidade acionista da CIF Angola. JN

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *