Em uma decisão polêmica, o governo do presidente Donald Trump revogou, nesta sexta-feira (23), a certificação do programa SEVIS (Student and Exchange Visitor Program) da Universidade de Harvard, proibindo a instituição de admitir estudantes estrangeiros com vistos F ou J para o ano letivo de 2025-2026. A medida, anunciada pela secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, representa um duro golpe para a prestigiada universidade, que acolhe cerca de 6.700 estudantes internacionais, equivalente a 27% de seu corpo discente, segundo dados do site oficial da instituição.

A revogação do SEVIS, sistema que regula a entrada de estudantes estrangeiros nos Estados Unidos, é parte de uma ofensiva mais ampla do governo Trump contra universidades privadas de elite. A administração acusa essas instituições, incluindo Harvard, de promoverem ideias progressistas e de não protegerem adequadamente estudantes judeus durante protestos contra a guerra de Israel na Faixa de Gaza. Em carta divulgada à imprensa, Noem criticou Harvard por “perpetuar um ambiente perigoso no campus, hostil aos estudantes judeus” e por adotar políticas de diversidade, equidade e inclusão, que classificou como “racistas”. A secretária também alegou que a universidade se recusou a fornecer informações solicitadas pelo governo.

A decisão gerou reações imediatas. Associações de defesa das liberdades individuais, como a União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU), classificaram a medida como um ataque à liberdade de expressão e uma tentativa de silenciar críticas a Israel. Defensores das políticas de diversidade, por outro lado, argumentam que elas buscam corrigir desigualdades históricas na sociedade americana.

Além da proibição de receber estudantes estrangeiros, Harvard já enfrentava cortes de mais de US$ 2 bilhões (cerca de € 1,77 bilhão) em subsídios federais, uma medida que intensifica o embate entre o governo republicano e a universidade localizada em Massachusetts. A ofensiva de Trump contra o ensino superior também inclui críticas às universidades por supostamente promoverem ideologias de esquerda, vistas como excessivamente progressistas pelo campo republicano.

A decisão pode impactar significativamente a visibilidade internacional de Harvard e sua capacidade de atrair talentos globais. Até o momento, a universidade não se pronunciou oficialmente sobre a medida. LUSA

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