Nos últimos 10 anos, o sistema financeiro angolano sofreu a perda de sete bancos comerciais, com o mais recente sendo o VTB África, de origem russa, que encerrou suas operações após 18 anos no país. A lista de instituições extintas inclui o BAI Micro Finanças (BMF), Banco Prestígio (BPG), Kwanza Invest (BKI), Banco Angolano de Negócios e Comércio (BANC), Banco Postal e BancoMais, todos fechados devido a insuficiência de fundos próprios ou incumprimento dos requisitos mínimos de capital social exigidos pelo Banco Nacional de Angola (BNA).
Bancos “Demasiado Grandes para Falir”
Enquanto alguns bancos desapareceram, o Banco de Poupança e Crédito (BPC) e o Banco Económico foram mantidos com apoio estatal, considerados “too big to fail” devido ao impacto sistémico que sua falência poderia causar. O BPC, por exemplo, passou por um plano de reestruturação entre 2020 e 2023, com a criação da Recredit para gerir activos tóxicos, custando cerca de 1,5 biliões de kwanzas aos contribuintes. Apesar da recapitalização, o banco ainda apresenta prejuízos acumulados de quase 1,2 biliões de kwanzas em 2024.
O Banco Económico, por sua vez, enfrenta problemas de liquidez há anos e está em falência técnica há seis anos. Há indícios de que o BNA estuda um modelo de “banco bom” e “banco mau”, semelhante ao aplicado ao Banco Espírito Santo em Portugal.
Outras Transformações no Setor
O Banco de Comércio e Indústria (BCI), outro banco público, enfrentou problemas de capital, mas foi privatizado em leilão para o Grupo Carrinho por 16,5 mil milhões de kwanzas (cerca de 29 milhões de USD). O grupo realizou ajustes de capital e limpou resquícios do programa Angola Investe, conforme exigido pelo regulador.
O setor também registrou a fusão entre o Banco Millennium Angola e o Banco Privado Atlântico, criando o Banco Millennium Atlântico (BMA) em 2016. Mais recentemente, o nigeriano Access Bank entrou no mercado angolano ao adquirir o Finibanco (2023) e o Standard Chartered Bank Angola (2024), transformando-os em Access Angola.
Críticas ao Regulador
O BNA tem sido alvo de críticas por alegada aplicação de “dois pesos e duas medidas” na supervisão do sistema bancário, especialmente por sua tolerância com o BPC e o Banco Económico, enquanto outros bancos tiveram licenças revogadas. Este cenário levanta questões sobre a consistência regulatória e os desafios de estabilizar o sistema financeiro angolano. Expansão
