Um recente estudo do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) colocou Angola na 43.ª posição entre 53 países africanos no que toca à qualidade dos serviços públicos, classificando-os como os 11.º piores do continente. O relatório, publicado pela primeira vez este ano, destaca que o país precisa de melhorias urgentes em áreas como industrialização, segurança alimentar, integração regional e serviços sociais para garantir uma melhor qualidade de vida aos angolanos.
O Índice de Prestação de Serviços Públicos (PSDI) avalia cinco dimensões principais: Energia e Electricidade, Soberania Alimentar, Inclusão Socioeconómica, Integração Regional e Industrialização. Angola obteve uma pontuação geral de 40,1 pontos, abaixo da média africana de 45,4 pontos, numa escala de 0 a 100, onde 100 representa um desempenho óptimo.
Energia e Electricidade: Um Ponto Positivo
Na dimensão Energia e Electricidade, Angola destaca-se com uma pontuação de 64,5 pontos, acima da média continental de 53,0. O relatório elogia o quadro regulamentar do sector eléctrico (74,7 pontos) e os esforços do país para aumentar a produção de energia, especialmente através de fontes renováveis, como projectos solares e eólicos. Estes avanços, impulsionados por investimentos privados estrangeiros, alinham-se com a meta governamental de alcançar 70% de cobertura eléctrica até 2025. Contudo, a distribuição de energia ainda enfrenta desafios significativos.
Áreas Críticas: Industrialização e Soberania Alimentar
O desempenho de Angola é preocupante em outras dimensões. Na Industrialização, o país obteve apenas 26,0 pontos, ficando atrás de quase todos os países avaliados, excepto quatro: Djibuti, Somália, Serra Leoa e Libéria. O ambiente empresarial (27,8 pontos) e as infra-estruturas, como parques industriais (24,5 pontos), foram os principais pontos fracos. Segundo o BAD, é essencial melhorar o ambiente de negócios para atrair investimentos e promover o desenvolvimento económico.
Na dimensão Soberania Alimentar, Angola alcançou 36,7 pontos, bem abaixo da média africana de 44,1. O desenvolvimento da cadeia de valor agrícola (20,7 pontos), a eliminação da fome (46,1 pontos) e a erradicação da pobreza extrema (36,4 pontos) são áreas que requerem atenção imediata.
Inclusão Socioeconómica e Integração Regional
Na Inclusão Socioeconómica, Angola obteve 43,3 pontos, abaixo da média de 48,6. Apesar de progressos na capacitação de jovens e no empoderamento das mulheres, com pontuações de 60,0 e 52,0, respectivamente, o país enfrenta desafios em saúde (38,4 pontos), pobreza e desigualdade (38,2 pontos) e abastecimento de água e saneamento (32,0 pontos).
Na Integração Regional, a pontuação foi de 38,9 pontos, inferior à média de 44,7. Embora haja avanços em infra-estruturas rodoviárias (55,3 pontos) e comércio intra-africano (49,7 pontos), a liberdade de circulação (32,8 pontos) e a ratificação de acordos regionais (27,4 pontos) são pontos fracos. A recente adesão à Zona de Comércio Livre da SADC poderá melhorar esta pontuação no futuro.
Recomendações do BAD
O relatório sublinha que Angola deve priorizar investimentos em saúde, água e saneamento, cadeias de valor agrícolas, liberdade de circulação e ambiente empresarial. A aposta na diversificação económica, redução da dependência de hidrocarbonetos e fortalecimento da integração regional são passos cruciais para melhorar a qualidade de vida dos cidadãos.
Apesar dos desafios, o relatório reconhece os esforços do Governo angolano, especialmente no sector energético, mas alerta que os progressos devem ser acompanhados por uma distribuição mais eficiente e equitativa dos recursos. A melhoria dos serviços públicos é essencial para que Angola suba no ranking e ofereça melhores condições de vida à sua população.
Fonte: Jornal Expansão
