Vários países africanos, incluindo Angola, manifestaram solidariedade ao Governo da Venezuela após a detenção do presidente Nicolás Maduro por forças norte-americanas no último sábado, 3 de Janeiro. A ação militar dos Estados Unidos, que culminou na captura de Maduro e da sua esposa, a congressista Cilia Flores, provocou reações cautelosas mas firmes no continente africano, com ênfase no respeito à soberania estatal, à integridade territorial e aos princípios do direito internacional.
De acordo com o ministro venezuelano dos Negócios Estrangeiros, Yván Gil Pinto, Angola juntou-se a nações como Namíbia, Burkina Faso, Libéria, Chade, Níger, Gâmbia e Burundi ao enviar mensagens de apoio a Caracas. A posição angolana alinha-se com a tradição diplomática do país em defesa do multilateralismo e da resolução pacífica de conflitos — pilares reiteradamente defendidos por Luanda em fóruns regionais e internacionais.
A Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) emitiu, esta segunda-feira, um comunicado em que reconhece o direito dos Estados a combater o crime transnacional, mas reforça a necessidade de respeitar a soberania da Venezuela, conforme estipulado na Carta das Nações Unidas. O bloco regional, composto por 12 países, declarou igualmente o seu apoio à posição da União Africana (UA).
A UA, por sua vez, evitou uma condenação direta da operação norte-americana, mas reafirmou, em nota divulgada no sábado à noite, o compromisso com os princípios fundamentais do direito internacional, incluindo o respeito pela autodeterminação dos povos e a integridade territorial dos Estados-membros. A organização pan-africana apelou ainda à resolução da crise venezuelana por meios pacíficos e dialógicos.
Contudo, alguns países assumiram posturas mais enérgicas. A África do Sul condenou os eventos, classificando-os como um ataque à estabilidade da ordem internacional e ao princípio da igualdade entre nações. Já o Gana criticou o “uso unilateral da força” pelos EUA, exigiu a libertação imediata de Maduro e alertou para os riscos de um precedente perigoso para a governança global.
Nicolás Maduro e Cilia Flores foram transferidos para o Centro de Detenção Metropolitano de Brooklyn, em Nova Iorque, e compareceram em tribunal na segunda-feira, 5 de Janeiro, para responder a acusações relacionadas com tráfico de droga e corrupção.
Enquanto o mundo acompanha os desdobramentos deste caso de alto impacto geopolítico, a posição dos países africanos com destaque para Angola reforça o compromisso do continente com a ordem jurídica internacional e com a defesa da soberania como pilar inegociável das relações entre Estados.
Fonte: Jornal Mercado
