O Executivo anunciou hoje a captação de 2,5 mil milhões de dólares (cerca de 2,1 mil milhões de euros) junto de investidores estrangeiros através de uma emissão de Eurobonds. O montante, superior ao objectivo inicial de dois mil milhões, será aplicado no Orçamento Geral do Estado (OGE) de 2026 e no pagamento de atrasados a prestadores de serviços ao Estado, trazendo maior tranquilidade a milhares de famílias e empresas que vivem da actividade contratual com a Administração Pública.

O ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano, fez o anúncio no final da reunião do Conselho de Ministros. A operação foi realizada em duas tranches: 1,5 mil milhões de dólares a 9,25% de juro com maturidade de sete anos e mil milhões de dólares a 9,8% com maturidade de 11 anos.

Taxas mais baixas que emissões anteriores

Massano destacou as “taxas muito favoráveis” obtidas e o facto de Angola ter conseguido reduzir os custos de financiamento em relação a emissões anteriores. “Angola é dos poucos países que, depois do conflito no Médio Oriente, consegue taxas de juro mais baixas do que as que tinha antes do conflito”, sublinhou o governante.

A emissão contou com forte participação de investidores do Reino Unido e, sobretudo, dos Estados Unidos da América, onde se registou a maior fatia da mobilização. A procura total chegou aos 5,2 mil milhões de dólares, mais do dobro do que o Executivo pretendia captar.

Primeira emissão de emergentes após o conflito no Médio Oriente

Segundo o ministro, trata-se da primeira emissão de dívida soberana por um país emergente desde o início do conflito no Médio Oriente. A operação ocorreu num contexto de “grande incerteza e forte volatilidade” nos mercados internacionais e ainda assim superou as expectativas.

José de Lima Massano classificou a transacção como “operação histórica”. Angola posiciona-se como o terceiro maior emitente africano subsariano num único dia, apenas atrás da África do Sul e da Nigéria. “Revela um sinal forte de confiança dos investidores internacionais no andamento da nossa economia”, afirmou.

Recursos para o OGE e pagamento de dívidas internas

Os fundos vão directamente financiar os programas previstos no OGE deste ano e permitirão regularizar um volume considerável de ordens de saque pendentes dentro do prazo legal de 90 dias. “Gostaríamos de transmitir esta tranquilidade a quem interage e tem relações de serviço com o Executivo”, declarou o ministro, numa mensagem directa aos fornecedores do Estado.

Angola regressou aos mercados internacionais em 2025 com a emissão Palanca VIII após três anos de ausência, consolidando o seu estatuto de emitente credível. Entre 2015 e 2024 o País realizou várias operações de Eurobonds, com destaque para a estratégia de gestão activa da dívida adoptada desde 2019.

Para o ano em curso, o Executivo prevê captar 7,93 biliões de kwanzas em financiamento externo e 7,11 biliões de kwanzas no mercado interno, reforçando a diversificação das fontes de financiamento e a redução da dependência do petróleo.

Fonte: Lusa

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *