A ministra das Finanças, Vera Daves de Sousa, revelou que o Executivo angolano garantiu 195 mil milhões de kwanzas (180,1 milhões de euros) da linha de financiamento de Portugal exclusivamente para o sector da educação, incluindo a construção de novas escolas. A declaração foi feita ontem, durante a V edição do programa “Conversas Economia 100 Makas”, promovido pelo jornalista Carlos Rosado de Carvalho no Hotel Epic Sana, em Luanda, e tem impacto directo nas famílias angolanas que enfrentam dificuldades de acesso ao ensino básico devido ao rápido crescimento populacional.
O valor representa parte significativa dos recursos externos captados para o Orçamento Geral do Estado (OGE) 2026, no qual a educação absorve cerca de 7% das despesas públicas. Segundo a titular da pasta, esta linha portuguesa destaca-se pela flexibilidade, permitindo ao Executivo encaixar não só a reabilitação da urbanização Nova Vida, em Luanda, como também a construção de infra-estruturas escolares.
A ministra admitiu abertamente que o Executivo “não está a conseguir acompanhar a velocidade com que mais crianças se tornam elegíveis para fazer parte do sistema de ensino”. Esta realidade afecta diariamente milhares de famílias nas províncias e na capital, que veem os filhos em listas de espera ou em turmas sobrelotadas.
Programa “Minha Escola, Meu Futuro” responde à urgência
Para dar resposta concreta a este desafio, o Executivo criou, para 2025, o programa específico “Minha Escola, Meu Futuro”, que visa captar financiamento dedicado exclusivamente à construção de escolas. Vera Daves de Sousa sublinhou que se trata de um sinal claro de que o Estado reconhece estar “a andar devagar nesse domínio de construção de infra-estruturas escolares”.
A governante reconheceu ainda que tem sido dada “pouca atenção à educação comparativamente a outros sectores”, mas garantiu que o tema é prioridade máxima para o Titular do Poder Executivo, João Lourenço.
Presidente João Lourenço cobra resultados e actua pessoalmente
“ Temos sido continuamente desafiados pelo Titular do Poder Executivo a fazê-lo”, afirmou Vera Daves, revelando que o Presidente “chama-nos frequentemente” para cobrar o avanço de projectos do ensino superior com financiamento já identificado. Desde meados de 2025, João Lourenço exige a identificação de uma fonte de financiamento estável para não depender apenas dos recursos ordinários do Tesouro.
Foi na última deslocação a Portugal que o próprio Presidente solicitou directamente às autoridades portuguesas a inclusão da componente escolar na linha de financiamento. “O facto de ter sido iniciativa própria do Presidente demonstra a preocupação ao mais alto nível com o tema e com a necessidade de dar outra velocidade”, concluiu a ministra.
Fonte: Lusa
