O Presidente da República, João Lourenço, defendeu na Cimeira do G20, realizada em Joanesburgo, a necessidade urgente de financiamento climático e o reforço da segurança alimentar em África. O estadista angolano participou na segunda sessão da cimeira na qualidade de Presidente em exercício da União Africana.

No discurso proferido este sábado perante líderes das maiores economias do mundo, João Lourenço destacou que as alterações climáticas continuam a afectar gravemente a segurança alimentar no continente, perturbando sistemas alimentares, gerando conflitos e provocando deslocações massivas de populações.

Apelo ao compromisso com o Acordo de Paris

“As alterações climáticas são uma realidade e têm vindo a afectar gravemente a segurança alimentar ao perturbarem os sistemas alimentares, para além de gerarem conflitos e provocar deslocações de pessoas, agravando ainda mais a crise humanitária existente”, afirmou o Chefe de Estado angolano.

João Lourenço considerou que o G20 deve reafirmar o seu “firme compromisso com a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas e o Acordo de Paris”, mobilizando esforços para acelerar a implementação plena de todos os objectivos acordados, especialmente no que respeita ao financiamento climático.

Resultados da COP30 e financiamento verde

O Chefe de estado saudou os resultados da COP30, realizada recentemente em Belém do Pará, no Brasil, incluindo os mecanismos de financiamento verde e azul para regiões e países fortemente impactados pelas alterações climáticas.

“Em alinhamento com a Estratégia da União Africana sobre as Alterações Climáticas e Desenvolvimento Resiliente, saudamos os resultados da COP30 realizada recentemente em Belém do Pará, no Brasil, incluindo os respectivos mecanismos de financiamento verde e azul”, declarou.

Transição energética justa requer paz e segurança

João Lourenço sublinhou que as transições para uma energia justa e verde requerem a estabilização da situação de paz e segurança, particularmente em África, além do reforço da resiliência perante desastres naturais.

“Convictos da importância vital de investir nas transições energéticas, na tecnologia e nas infra-estruturas, Angola, na qualidade de Presidente da União Africana, assumiu a liderança na congregação dos parceiros de desenvolvimento de África para a busca de soluções adequadas para o financiamento das infra-estruturas continentais críticas”, afirmou o Presidente.

O estadista agradeceu o apoio dos líderes e países do G20, assim como das instituições internacionais que se associaram a esta missão.

Programa africano para segurança alimentar

No campo da segurança alimentar, João Lourenço destacou o novo Programa Abrangente de Desenvolvimento Agrícola para a África, a Estratégia de Kampala e o Plano de Acção 2026-2035, que se focam na construção de sistemas agro-alimentares resilientes e sustentáveis.

O Presidente da República aplaudiu a criação do Grupo de Trabalho do G20 para a Segurança Alimentar, estabelecido pela presidência sul-africana em conjunto com organizações como a FAO e o Programa Alimentar Mundial (PAM), e propôs a sua continuidade.

“Aplaudimos as abordagens inspiradas na filosofia africana sobre Segurança Alimentar e Nutrição, enaltecemos a liderança da Presidência sul-africana no avanço da agenda global de segurança alimentar e nutricional através da criação deste Grupo de Trabalho e propomos a sua continuidade”, afirmou.

África como motor da transição verde global

João Lourenço enfatizou que o continente africano contribuirá de forma activa para o desenvolvimento global equitativo através da Zona de Comércio Livre Continental Africana (ZLCAf), “um dos maiores mercados económicos integrados do mundo”.

O Presidente destacou ainda que, tendo em conta a abundância de recursos naturais críticos e estratégicos, as vastas reservas de biodiversidade e o potencial demográfico de que África dispõe, o continente terá um papel incontornável nos contributos para impulsionar a transição verde à escala global.

“Concretizaremos este objectivo com o envolvimento de todos nós”, concluiu o estadista angolano, sublinhando a importância da cooperação multilateral.

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