A República de Angola, através da Presidência da República, propôs esta quarta-feira, 11 de Fevereiro de 2026, a entrada em vigor de um cessar-fogo entre o Governo da República Democrática do Congo (RDC) e o movimento rebelde M23 a partir das 12h00 do próximo dia 18 de Fevereiro. A proposta surge na sequência de consultas com líderes africanos e aguarda pronunciamento público de aceitação por parte das partes envolvidas.
A iniciativa, liderada pelo Presidente João Lourenço na qualidade de Presidente em Exercício da União Africana, reforça o papel de Luanda como mediador central no conflito que afecta o leste congolês, com impactos directos na estabilidade regional e na economia angolana, nomeadamente no comércio transfronteiriço e no Corredor do Lobito.
O comunicado oficial refere que a data foi avançada após o encontro realizado na passada segunda-feira, 9 de Fevereiro, em Luanda, entre João Lourenço, o Presidente congolês Félix Tshisekedi, o Presidente togolês Faure Gnassingbé (Mediador da União Africana) e o ex-Presidente nigeriano Olusegun Obasanjo, representante dos facilitadores do processo de paz.
Nesse encontro foi decidido apelar às partes para declararem um cessar-fogo, acelerar os mecanismos de verificação acordados em Doha (Outubro de 2025) e conferir a Angola o mandato para iniciar consultas com todos os actores congoleses interessados, preparando o diálogo inter-congolês a realizar em Luanda.
Recordando compromissos anteriores
Os líderes recordaram ainda o Acordo de Washington de 4 de Dezembro de 2025 e as resoluções 2773 (2025) e 2808 (2025) do Conselho de Segurança da ONU, que estabelecem a retirada das tropas ruandesas do território congolês e a neutralização das FDLR.
A proposta angolana surge num momento em que a instabilidade no leste da RDC continua a gerar fluxos de refugiados e a perturbar rotas comerciais que ligam Angola à região dos Grandes Lagos.
