Um recente estudo do Instituto Nacional de Estatística (INE) sobre o “Uso do Tempo” da população trabalhadora angolana revelou que os cidadãos gastam, em média, 7 horas e 21 minutos por semana nos trajectos entre casa e trabalho. Os dados apontam para variações significativas conforme a região, género e faixa etária, evidenciando desigualdades no acesso à mobilidade em Angola.

Disparidades Regionais e Urbanas

Nas áreas urbanas, onde o trânsito é mais intenso, o tempo médio semanal de deslocamento é de 7 horas e 29 minutos, enquanto nas zonas rurais esse valor cai para 6 horas e 55 minutos. A província de Benguela destaca-se como a mais afectada, com uma média de 19 horas e 35 minutos por semana, o equivalente a quase metade de uma semana de trabalho. Em contrapartida, Cunene apresenta o menor tempo, com apenas 45 minutos semanais.

Diferenças por Género e Idade

O estudo também aponta diferenças por género: os homens gastam, em média, 8 horas e 18 minutos por semana, enquanto as mulheres despendem 7 horas e 21 minutos. Esta disparidade pode reflectir padrões de mobilidade, com homens a aceitar empregos mais distantes ou em sectores com horários menos flexíveis.

Por faixa etária, os trabalhadores entre 45 e 49 anos são os mais penalizados, com 8 horas e 41 minutos semanais em deslocamentos. Já os jovens entre 25 e 29 anos registam o menor tempo, com 6 horas e 22 minutos, possivelmente devido a maior flexibilidade laboral ou à escolha de residências próximas dos locais de trabalho.

Impactos na Economia e Qualidade de Vida

De acordo com um economista que preferiu manter o anonimato, o tempo perdido em deslocamentos representa um “custo enorme” para a economia angolana. “Além da perda de produtividade, há um impacto significativo no cansaço acumulado e na qualidade de vida familiar”, afirmou. O estudo destaca ainda que, em províncias como Uíge e Huambo, cerca de 75% da população activa enfrenta estes trajectos regularmente, enquanto em Malanje e Moxico esse número não ultrapassa os 20%. E&M

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