A Angonabeiro, empresa do Grupo Nabeiro presente em Angola desde a retomada da produção cafeeira nacional, encerrou o ano de 2025 com um volume de negócios de cerca de 29,9 mil milhões de kwanzas (aproximadamente 28 milhões de euros), representando um crescimento de 13,3% face a 2024, quando registou 26,4 mil milhões de kwanzas (cerca de 24,2 milhões de euros).
O desempenho positivo reflete-se também nas exportações: a empresa alcançou um volume de vendas internacionais de aproximadamente 1,4 mil milhões de kwanzas (1,3 milhões de euros), com destaque para mercados como França, Suíça, Cabo Verde, Senegal e Brasil, onde as marcas angolanas têm ganhado espaço.
Em declarações ao portal, o diretor-geral da Angonabeiro, Rui Gonçalves, destacou que os resultados são fruto de uma “trajetória de crescimento sustentado”, impulsionada por investimentos contínuos na capacidade produtiva, inovação e proximidade com consumidores e parceiros.
“Estes números reafirmam o nosso compromisso com o desenvolvimento do setor cafeeiro em Angola, um país que já foi um dos maiores produtores mundiais de café robusta. Apostamos fortemente na valorização do talento local, na qualidade dos nossos produtos e na compra direta de café a pequenos agricultores e grandes fazendas nacionais”, afirmou.
Fábrica em Cacuaco é única fora de Portugal
Instalada em Cacuaco, província de Luanda, a fábrica de torrefação da Angonabeiro é a única unidade do Grupo Nabeiro localizada fora de Portugal, operando desde 2001. Anualmente, produz cerca de 400 toneladas de café torrado sob a marca angolana Ginga, além de três milhões de cápsulas por ano, distribuídas localmente e no exterior.
A unidade também desempenha papel estratégico na cadeia de valor do grupo: envia cerca de mil toneladas de café verde para Portugal, utilizado na composição de misturas premium da Delta Cafés. Para fortalecer esta ligação, a empresa tem investido na modernização das linhas de transformação e na construção de uma nova linha de rebeneficiamento de café verde, aumentando a eficiência e a qualidade do produto angolano.
Compromisso com a produção nacional
A Angonabeiro compra anualmente cerca de 1.400 toneladas de café a produtores angolanos, sendo mil delas destinadas à exportação para mais de 40 países. Este apoio direto ao sector agrícola nacional reforça o papel da empresa como agente activo na recuperação da cultura cafeeira em Angola.
Segundo Rui Miguel Nabeiro, CEO do Grupo Nabeiro-Delta Cafés, Angola representa hoje cerca de 30% dos mercados internacionais do grupo, evidenciando a importância estratégica do país na sua expansão global.
“O café angolano faz parte da nossa história. Quando chegámos em 1998, a convite do Estado angolano, para relançar a antiga Liangol, assumimos um compromisso com este solo fértil e com os seus produtores. Hoje, vemos os frutos desse trabalho em cada xícara de Ginga servida dentro e fora de Angola.”
Uma parceria que dura há quase três décadas
A presença do Grupo Nabeiro em Angola remonta a 1998, quando iniciou a gestão da fábrica Liangol, em processo de recuperação. Em 2000, nasceu oficialmente a Angonabeiro, e em 2007 começou a exportar a marca Ginga, símbolo da identidade cafeeira angolana no mundo.
Com raízes profundas no tecido económico e social do país, a empresa continua a apostar na produção local, emprego qualificado e sustentabilidade ambiental, alinhando-se aos princípios do jornalismo económico responsável e à missão de promover Angola como potência cafeeira africana.
Fonte: Jornal Económico
