Angola despede-se, com luto nacional e profundo pesar, de Fernando da Piedade Dias dos Santos, carinhosamente conhecido por “Nandó”, figura central da política e do parlamentarismo angolano, falecido na quinta-feira, 18 de dezembro, aos 73 anos. Seus restos mortais serão sepultados esta segunda-feira, 22, no Cemitério do Alto das Cruzes, em Luanda, em cerimónia marcada por honras de Estado.

Em tributo ao seu legado, a Assembleia Nacional realizou, no domingo, 21, uma cerimónia solene de homenagem no Salão Nobre do Parlamento, reunindo deputados, antigos parlamentares, funcionários, familiares e representantes de todos os partidos com assento parlamentar. O evento foi permeado por emoção, reconhecimento e unânime apreço pela trajetória de um homem cuja vida se confunde com a construção do Estado angolano moderno.

Marcos do seu mandato

O atual presidente da Assembleia Nacional, Adão de Almeida, destacou os feitos mais relevantes do mandato de “Nandó” à frente da Casa das Leis, entre 2008 e 2020. “Foi sob a sua liderança que aprovámos diplomas estruturantes para o país, como a Constituição da República de Angola de 2010, um pilar fundamental para a consolidação do Estado Democrático e de Direito”, afirmou.

Adão de Almeida ressaltou ainda a postura de “Nandó” como líder equilibrado, inclusivo e comprometido com o diálogo construtivo entre forças políticas diversas. “A melhor forma de homenageá-lo é continuar a trabalhar afincadamente para deixar esta instituição cada vez mais consolidada”, disse, assumindo o compromisso de honrar os ideais do antigo presidente.

“Construtor de pontes” e guardião da democracia

Representantes de todos os partidos políticos MPLA, UNITA, PRS, FNLA e PHA uniram-se em palavras de tributo, retratando um estadista cuja autoridade vinha da experiência, da humildade e do respeito pelo outro.

O deputado Nvunda Salucombo, do MPLA, definiu “Nandó” como “um político de qualidades inigualáveis”, cuja firmeza era suavizada por um sorriso constante e pela capacidade de colocar os interesses da Nação acima de qualquer interesse individual. Já Mihaela Weba, da UNITA, destacou o seu papel como “construtor de pontes”, lembrando que, durante 12 anos, soube dirigir o Parlamento com espírito de diálogo e respeito pela diversidade.

Benedito Daniel, do PRS, chamou-lhe “patriota exemplar”, enquanto Nimi a Simbi, presidente da FNLA, reconheceu nele “exemplos irrefutáveis de patriotismo e aceitação da diversidade”. Para Florbela Malaquias, do PHA, “Nandó” foi o “guardião do templo da democracia”, transformando o Parlamento num espaço legítimo de diálogo nacional.

O líder que valorizava as pessoas

Além do reconhecimento político, a cerimónia revelou o lado profundamente humano de Fernando da Piedade Dias dos Santos. Funcionários parlamentares recordaram com emoção o seu primeiro encontro com a classe administrativa, em 2008, no Palácio dos Congressos um marco que iniciou uma era de modernização institucional, mas também de respeito pela dignidade de cada colaborador.

Silva Santos, em nome dos agentes parlamentares, afirmou que “Nandó” não era apenas um dirigente, mas “um construtor de relações humanas, que escutava com atenção e tratava todos com igualdade, independentemente de cargos ou títulos”.

A Intendente Aurora Deovita, da Unidade de Proteção Parlamentar, lembrou ainda o seu papel como antigo Ministro do Interior e Comandante-Geral da Polícia Nacional, destacando o seu “serviço dedicado à pátria e ao bem comum”.

Luto Nacional e despedida solene

Em cumprimento ao decreto presidencial, esta segunda-feira, 22 de dezembro, é observado Luto Nacional em todo o território angolano. A Bandeira Nacional está a meia-haste, e atividades culturais e recreativas estão suspensas.

A cerimónia de despedida, marcada por vídeos com momentos emblemáticos da vida pública de “Nandó”, foi um testemunho vivo do impacto duradouro do seu legado: serenidade, serviço público, humanidade e compromisso com a unidade nacional.

Como afirmou o jovem deputado Nelito Ekuikui: “Durante 12 anos, mudou a forma como os jovens olham para a política”. E, nas palavras do secretário-geral da Assembleia Nacional, Pedro Agostinho de Neri, “o maior legado de ‘Nandó’ foi impulsionar os jovens a trabalharem com responsabilidade e com simplicidade”.

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