A Sonangol, continua a enfrentar dificuldades para comprovar a recuperabilidade de activos inscritos nas rubricas “investimentos em participadas” e “outros activos financeiros”, que somam mais de 1,2 biliões de kwanzas, segundo o Relatório Anual de 2024. Estas questões, que geram reservas dos auditores externos desde 2016, reflectem incertezas quanto à viabilidade financeira de investimentos estratégicos da empresa.
Reservas dos auditores persistem desde 2016
Desde 2016, os auditores têm apontado preocupações sobre a capacidade da Sonangol de recuperar os valores investidos em participadas e outros activos financeiros. Em 2024, os activos em causa estão avaliados em mais de 1,2 biliões de kwanzas, sendo 544,8 mil milhões referentes a investimentos em participadas e 666,821 mil milhões a outros activos financeiros.
Os auditores destacam no relatório: “Não nos foi possível concluir quanto à recuperabilidade dos referidos activos, nem sobre o impacto que eventuais regularizações possam vir a ter nas demonstrações financeiras.” A Sonangol está a realizar diligências internas para determinar a totalidade do seu perímetro de capital, mas o processo ainda não foi concluído, o que impede uma avaliação definitiva.
Provisões superam 2,1 biliões de kwanzas
A Sonangol possui investimentos em cerca de 75 activos, entre participantes e participadas. Para mitigar riscos, a empresa constituiu provisões que, em 2024, ultrapassaram 2,134 biliões de kwanzas, enquanto os investimentos líquidos estão avaliados em mais de 2,4 biliões de kwanzas.
A maior provisão, no valor de 714,899 mil milhões de kwanzas, está associada à PT Ventures, adquirida em 2020 à brasileira Oi, o que permitiu à Sonangol deter 25% da Unitel. O investimento líquido na PT Ventures é de 145,695 mil milhões de kwanzas. A provisão pode estar relacionada com conflitos no processo de aquisição ou com dividendos reclamados por outros accionistas da Unitel, cujas participações foram nacionalizadas. Outra provisão significativa, de 496,227 mil milhões de kwanzas, está ligada ao investimento de 30% na CS International.
Dividendos caem 8,4% em 2024
Os dividendos recebidos pelas participadas da Sonangol registaram uma queda de 8,4% em 2024, passando de 440,186 mil milhões para 402,930 mil milhões de kwanzas. A Angola LNG, responsável por cerca de 68% dos lucros, foi a principal causa desta redução, com uma diminuição de 10,6% nos seus dividendos, de 306,525 mil milhões para 273,805 mil milhões de kwanzas.
Das cerca de 30 participadas, apenas 12 geraram lucros em 2024. O Banco Millennium BCP contribuiu com 47,210 mil milhões de kwanzas, seguido pela Inloc (28,001 mil milhões) e pela Esperaza (27,522 mil milhões). A Sonils, outra participada relevante, registou lucros de 10,501 mil milhões de kwanzas, uma queda face aos 13,320 mil milhões de 2023.
Imóveis e fundos de investimento com perdas
Nos “outros activos financeiros”, a Sonangol declarou investimentos em imóveis avaliados em 831,701 mil milhões de kwanzas, com uma provisão de 445,495 mil milhões. Já os fundos de investimento apresentaram um saldo final de 268,504 mil milhões de kwanzas, reflectindo perdas de 7,712 mil milhões.
Transparência e desafios futuros
A persistência das reservas dos auditores e a queda nos dividendos sublinham os desafios que a Sonangol enfrenta na gestão dos seus investimentos. A empresa precisa de concluir as diligências internas para esclarecer a situação dos activos e reforçar a transparência nas suas demonstrações financeiras, em conformidade com os padrões éticos e profissionais exigidos pela Lei de Imprensa Angolana e pelo jornalismo responsável.
Fonte: Valor Económico
