O Banco Mundial manteve inalterada a previsão de crescimento económico de Angola para 2026 em 2,6%, numa altura em que reviu em baixa as estimativas para a maioria dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), revela o relatório Perspetivas Económicas Globais divulgado esta terça-feira em Washington.
A instituição financeira internacional destaca, porém, que em 2025 o desempenho da economia angolana foi penalizado pela fraqueza do sector petrolífero, com preços mais baixos do petróleo, subinvestimento e envelhecimento dos campos petrolíferos a travarem a produção.
Acesso aos mercados de capitais
Entre os aspectos positivos apontados pelos economistas do Banco Mundial está a melhoria das condições de financiamento externo. Várias economias da região, incluindo Angola, República do Congo, Quénia e Nigéria, recuperaram o acesso aos mercados internacionais de capitais, o que representa um alívio para o financiamento das contas públicas e do investimento privado.
Previsões para os PALOP em 2026
Das economias lusófonas da África Subsaariana, apenas Angola e Guiné-Bissau mantiveram as projecções de Junho passado:
- Angola: 2,6% em 2026 (inalterado) e 2,8% em 2027
- Guiné-Bissau: 5,2% em 2026 e 2027 (inalterado)
- Cabo Verde: 5,2% em 2026 (-0,1 p.p.) e 5% em 2027
- Moçambique: 2,8% em 2026 (-0,7 p.p.) e 3,5% em 2027
- São Tomé e Príncipe: 4% em 2026 (-0,6 p.p.) e 3,5% em 2027 (-0,8 p.p.)
- Guiné Equatorial: 0,4% em 2026 (-0,2 p.p.) e 1% em 2027 (+2,1 p.p.)
África Subsaariana: crescimento médio de 4% mas com riscos elevados
O Banco Mundial melhorou ligeiramente a previsão de crescimento para a África Subsaariana em 2026, de 3,7% para 4%, impulsionado pela redução da inflação e pela subida dos preços de matérias-primas como o ouro. No entanto, a instituição alerta que metade dos países da região deverá registar abrandamento económico.
Os economistas sublinham que os ganhos no rendimento per capita continuam insuficientes para reduzir significativamente a pobreza ou criar emprego em escala relevante. Entre as principais preocupações estão a insegurança alimentar, os elevados níveis de dívida pública e a persistência de elevadas taxas de pobreza.
Os riscos para as previsões são considerados descendentes, com destaque para a possível redução da procura externa, queda dos preços das matérias-primas, aumento da instabilidade política, agravamento de conflitos regionais e eventual redução do apoio financeiro dos doadores internacionais, o que tornaria as economias mais vulneráveis a choques de saúde e desastres naturais.
Fonte: Jornal Económico
