O Sistema Financeiro Angolano (SFA) registou uma redução de 12% nas reclamações apresentadas ao Banco Nacional de Angola (BNA) no segundo trimestre de 2025, totalizando 4.980 queixas contra 4.430 no período anterior. Apesar da queda geral, o Banco de Fomento de Angola (BFA) manteve-se como a instituição mais alvo de reclamações entre os bancos sistémicos com mais de um milhão de contas.
Segundo o relatório divulgado pelo BNA, o BFA que detém mais de 3,6 milhões de contas foi responsável por 2.001 reclamações no trimestre, o que equivale a um rácio de 55,52 queixas por 100.000 clientes. O número representa um aumento de 19,3% em relação ao primeiro trimestre de 2025.
Na sequência do ranking, o Banco Angolano de Investimentos (BAI) surge em segundo lugar, com 1.355 reclamações um crescimento de 13,2% face às 1.196 do trimestre anterior e um rácio de 55,75 queixas por 100.000 clientes.
O Banco BIC ocupa a terceira posição, com 847 queixas (rácio de 40,11), seguido pelo Banco Millennium Atlântico, que subiu da última para a quarta colocação com 424 reclamações, principalmente relacionadas a caixas automáticos/TPA, prestação de serviços e contas de depósito à ordem.
Fechando a lista dos grandes bancos sistémicos, o Banco de Poupança e Crédito (BPC) registou 353 queixas (rácio de 14,26), com foco em caixas automáticos, contas à ordem e transferências.
Queda acentuada entre bancos com menos de um milhão de clientes
No segmento dos bancos sistémicos com menos de um milhão de clientes, o Standard Bank de Angola liderou as reclamações com 2.301 queixas uma média de 493,70 reclamações por 50.000 clientes, valor consideravelmente acima da média do grupo dos grandes bancos.
O Banco de Comércio e Indústria (BCI) surge em segundo lugar, com 59 reclamações (rácio de 3,50), seguido pelo Banco Económico (28 queixas; rácio de 6,91) e pelo Banco Keve (28 reclamações; rácio de 7,00). As principais problemáticas envolvem contas à ordem, cartões de débito e crédito, transferências e funcionamento de caixas automáticos/TPA.
Neste grupo, o total de reclamações caiu drasticamente: foram 2.416 no segundo trimestre, contra 4.049 no primeiro uma redução de 40%.
Especialistas apontam necessidade de infraestrutura mais resiliente
Apesar da redução geral de queixas, analistas do setor financeiro alertam que os números ainda revelam fragilidades. “Mesmo com a diminuição, os dados indicam a urgência de investimento em infraestruturas robustas com manutenção preventiva, redes redundantes e caixas automáticos adaptados a situações de crise, bem como na capacitação da população para o uso eficaz de canais digitais”, afirmou um especialista em serviços financeiros, em declarações ao nosso portal.
Fonte: Jornal Económico
