O Banco Nacional de Angola (BNA) decidiu manter as principais taxas de juro inalteradas, mas reduziu o coeficiente de reservas obrigatórias em moeda nacional, anunciou hoje a instituição após a reunião do Comité de Política Monetária (CPM) realizada nos dias 20 e 21 de Maio, em Luanda.
A decisão de manter a Taxa BNA em 19,5%, a taxa de Juro da Facilidade Permanente de Cedência de Liquidez em 20,5% e a taxa de juro da Facilidade Permanente de Absorção de Liquidez em 17,5% reflecte uma postura de cautela face à conjuntura internacional incerta, apesar da tendência de redução da inflação no país.
A principal novidade da reunião foi a redução do coeficiente de reservas obrigatórias em moeda nacional de 20% para 19%, uma medida que visa aumentar a liquidez disponível no sistema bancário.
Inflação mantém trajectória descendente
A taxa de inflação mensal fixou-se em 1,34% em Abril de 2025, ligeiramente abaixo dos 1,38% registados em Março. A inflação homóloga (últimos 12 meses) situou-se em 22,32%, mostrando uma redução significativa face aos 23,85% do mês anterior.
Segundo o comunicado do BNA, a classe de Alimentação e Bebidas não Alcoólicas continua a ser a principal responsável pela inflação, contribuindo com 0,87 pontos percentuais, o que representa 64,90% da inflação total.
Um dado significativo revelado pelo banco central é que apenas 24 dos 732 produtos que compõem o índice de Preços no Consumidor Nacional foram responsáveis por 65,10% da inflação observada, com destaque para o pão de trigo, o tomate e a cebola.
Contexto internacional preocupante
O BNA destaca que o contexto económico mundial “foi dominado pelo aumento das incertezas e volatilidade nos mercados financeiros”, o que tem impactado negativamente a actividade económica e o comércio internacional.
De acordo com o comunicado, o Fundo Monetário Internacional (FMI) reviu em baixa a projecção de crescimento da economia mundial para 2025, reduzindo-a de 3,30% para 2,80%.
No mercado petrolífero, sector crucial para Angola, o preço médio do barril reduziu 6,97% em Abril, fixando-se em 66,46 USD/barril, abaixo dos 71,44 USD/barril registados em Março. As principais agências internacionais prevêem que o preço se mantenha abaixo dos 70 USD/barril durante 2025.
Sector externo com superavit reduzido
O comunicado aponta ainda para uma redução de 14,56% no saldo superavitário da conta de bens em Abril, que passou de 1,36 mil milhões de dólares em Março para 1,16 mil milhões.
Em termos acumulados até Abril, o saldo da conta de bens atingiu 5,27 mil milhões de dólares, 33,17% abaixo dos 7,88 mil milhões registados no mesmo período de 2024. Esta redução deve-se à diminuição das exportações em 15,81% e ao aumento das importações em 16,48%.
Apesar destes desenvolvimentos, o BNA assegura que as reservas internacionais do país se fixaram em 15,48 mil milhões de dólares, o que corresponde a uma cobertura de 8,23 meses de importação de bens e serviços, um valor considerado confortável pelos padrões internacionais.
